Reflexão nº 28 – As vozes

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No começo, as vozes pareciam sem sentido, como loucos conversando. Alguém perguntava as horas e a resposta que surgia era que dia é hoje.

“O que elas dizem deve ser fruto da minha imaginação. São meros devaneios mentais”.

Era o que ele pensava.

Demorou um tempo para entendê-las. Na verdade, ele é quem andava sem sentido, não elas. Perdido, sem saber para onde ir. E tudo que elas faziam era tentar lhe dar as coordenadas.

“Acorde! Acorde!”.

Mas ele não queria despertar. Era como um adolescente que pede mais cinco minutos de sono aos pais antes de acordar para a escola. Sempre pedia mais um tempo.

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Reflexão nº 25 – “Conhecer-se, vencer-se e conquistar-se”

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“Oh, do you speak in english?”

Quando você está longe de “casa”, uma maneira de quebrar o gelo é cumprimentar os surfistas que estão na água. Naquela tarde, com um sorriso no rosto e uma expressão de alívio, um norte-americano de San Diego respondeu meu “Hi” com essa frase. Nosso breve diálogo dentro da água aconteceu em uma praia chamada Popoyo, na Nicarágua, na América Central.

A gente vê Popoyo do alto de um penhasco. É um visual incrível. Apesar de termos entrado na água apenas à tarde, eu e meu parceiro de viagem Bruno Amodio já havíamos passado por ali de manhã. O mar estava começando a funcionar, mas o excesso de surfistas (crowd, na gíria do surf) nos afastou.

Àquela altura da viagem, já havíamos enfrentado crowd e mar pesado em duas praias chamadas Puerto Sandino e Punta Miramar. Chegamos a ver Sandino funcionando com 7 pés (2,1 metros). Um pouco assustador para um cara habituado a surfar ondas de, no máximo, 4 pés (1,5 metro). Por isso, naquele momento, já buscávamos paz e tranquilidade.

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Reflexão nº 24 – Perdendo o medo de ser feliz

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Por muito tempo, havia procurado pela chave que a tiraria daquele quarto escuro e sombrio. Mas, agora, depois de finalmente ter encontrado a chave, tinha medo de abrir a porta.

Era uma sensação que quase nem ela entendia. O que a paralisava? O medo do novo? O medo de ser feliz? Ao mesmo tempo, queria sair. Estava confusa, com sensações e pensamentos contraditórios.

Sem pensar muito, seguindo o instinto de sobrevivência, tomou coragem e abriu a porta. Mas a luminosidade a fez baixar a cabeça, os olhos quase fecharam. Depois de tanto tempo na escuridão, a luz agora incomodava sua visão. Aquela sensação quase a fazia voltar, recuar.

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Reflexão nº 20 – Eu, Coutinho, Falcão e uma Libertadores

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Fotos: Clovis Fabiano / Futebol Tour

Quando saí de casa naquela quinta-feira (14/04/2011), pensava se conseguiríamos vencer o Cerro Porteño, no Paraguai, mesmo sem Neymar e Elano. Aquela partida valia a sobrevivência do Santos FC na Libertadores. O resultado podia significar um passo importante rumo às oitavas ou uma eliminação precoce na primeira fase.

Por isso, o ano do clube estava em jogo naquela noite. Aquela partida representava um divisor de águas em relação ao restante da temporada. Podia nos colocar no céu ou no inferno. Quis o destino que o jogo ainda acontecesse no mesmo dia em que o clube comemorava 99 anos de existência. Esse era nosso clima de trabalho naquele dia.

Apesar de toda essa atmosfera de ansiedade, os dias em que o Santos FC jogava fora de casa costumavam ser tranquilos para mim. Normalmente, não havia muito o que fazer até a hora do jogo. Como editor do site, eu costumava deixar tudo programado na véspera. Salvo raras exceções, tinha que fazer apenas alguns ajustes no site. Então, no mais, era esperar até a partida começar.

Mas aquela quinta-feira reservava algo de especial. Muito além do que qualquer coisa que eu pudesse imaginar.

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Reflexão nº 18 – Vida, amor e diversão

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Durante um período da vida, eu sonhava em ter um trabalho que girasse em torno do surf e da música, duas atividades que fazem minha alma vibrar. Por isso, eu “invejava” a vida de caras como Ben Harper, Donavon Frankenreiter, G-Love e Jack Johnson. Pensava no quanto eles deviam ser felizes por poderem trabalhar nesse universo.

Nessa fase, meus fins de noite costumavam ser em frente ao computador, vendo clipes e tentando tocar as músicas deles no violão. Em especial, eu gostava muito de ouvir uma música chamada “Life, love & laughter” (veja o clipe no fim do texto), do Donavon. Ela representava justamente o estilo de vida que eu queria ter: viver intensamente, amar muito a vida e dar muitas risadas, ser verdadeiramente feliz.

Não por acaso, fiz uma prancha com essas três palavras escritas nela: life, love e laughter. Algum tempo depois, descobri que o Donavon iria fazer um show no Guarujá. A apresentação aconteceria na praia, em frente ao aquário Acqua Mundo, e seria aberta ao público. Um final de tarde em um dia de semana.

Conversei com meu chefe, na época o Arnaldo Hase, e pedi autorização para sair mais cedo do Santos FC no dia do show. O único detalhe que esqueci foi calcular o tempo do trajeto com trânsito e balsa até o Guarujá.

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Reflexão nº 16 – Eu, a Vila e um professor

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Foto: Vinicios Oliveira

Os dias frios e nublados eram os mais difíceis de sair da cama. O sol empurra a gente para fora de casa. A chuva e o céu fechado dão preguiça, vontade de não fazer nada, passar o dia jogado no sofá.

Eu tinha um horário flexível para entrar no Santos FC e também já havia me acostumado com a rotina, disso eu não podia reclamar. O maior problema é que, como editor do site do clube, eu passava a maior parte do dia em frente a um computador. Essa rotina acabava comigo. Era sufocante. Eu precisava de ar livre, movimentar meu corpo.

Com o tempo, quase sem querer, descobri que as arquibancadas da Vila eram um bom lugar para encontrar ar puro. De lá, eu enxergava o estádio de cima, com amplitude. Ali, eu respirava, andava um pouco e pensava na vida. Olhava para o céu e relaxava. Era meu momento de meditação, reflexão.

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Reflexão nº 12 – Liberdade: alçando voos mais altos

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Sugestão: clique no player acima antes de iniciar a leitura

Eu estava de férias do Santos FC quando subi o morro naquela tarde, tinha tempo livre para pensar e fazer o que eu quisesse por cerca de 15 dias (Muita coisa, não é mesmo?!). Naquele período, 15 dias para fazer isso era muito tempo. Tempo pra caramba!

Quando cheguei lá em cima encontrei um amigo. Foi mero acaso, pura coincidência. Ele estava fazendo uma matéria sobre voo livre. Foi assim que eu conheci o Eládio, o Vovô.

No breve papo que tive com ele naquele dia, recebi o convite para fazer um voo duplo. Eu sempre tive medo de altura, mas encarar esse medo de frente me dava um frio gostoso na barriga. O medo me puxava para aquele desafio. Significava vencer a mim mesmo. Além disso, aquela experiência parecia libertadora. Ia ao encontro da busca que eu já iniciara. Seria um momento único, eu não tinha dúvida.

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Reflexão n° 10 – “Ensaio sobre a cegueira”

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“A vida não é medida pelo número de vezes que respiramos, mas pelos lugares e momentos capazes de tirar nosso fôlego” (Anônimo)

Eu fiquei com a respiração ofegante quando ele passou por mim. Eu já estava um pouco receoso. Aquele estava sendo um momento de descobertas. Estava um pouco inseguro, ainda conhecendo aquele novo mundo, como um colonizador que desembarca em terras desconhecidas.

Ele quase “atropelou” o menino que estava do meu lado. E também passou bem perto de mim. Isso me deixou ainda mais assustado. Na volta, ele acabou me alcançando. Remamos lado a lado. Eu ainda estava receoso e, ao mesmo tempo, surpreso.

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