Reflexão nº 23 – O poder de parar o tempo: um gol como Pelé

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Foto: Ricardo Saibun / Divulgação Santos FC

O difícil, o extraordinário, não é fazer mil gols, como Pelé. É fazer um gol como Pelé, Carlos Drummond de Andrade

Quando Neymar arrancava para um gol, sentíamos que ia marcar. A energia que ele transmitia não deixava dúvidas. Logo que ele pegava na bola e iniciava a corrida, sabíamos que aquele lance ia terminar no fundo das redes. Era como se aquele gol já existisse no “mundo das ideias” de Neymar. Ele apenas materializava o feito, tornava ele concreto aos nossos olhos.

Assim, nossa comemoração nascia no momento em que ele tocava na bola com aquela vibração que já conhecíamos. À medida que ele se aproximava do ápice, do ato final, a comemoração ia tomando corpo, crescendo. E, de dentro para fora, explodia quando a bola cruzava a linha do gol.

Neymar desafiava a física, fazia o tempo parar por um instante. Na fração de segundo seguinte, o estádio inteiro vinha abaixo.

O dom de congelar o tempo e fazer com que um momento se torne inesquecível parece andar de mãos dadas com nossa verdadeira vocação. Essa capacidade é, certamente, um dos “lances” da genialidade que cada um de nós carrega.

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Reflexão nº 21 – “Se eu estiver atrapalhando, você fala, tá?”

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Fotos: Ricardo Saibun / Divulgação Santos FC

Procura para teu descanso a consciência do teu Eu Real, a Verdade eterna. Deixa longe de ti os cuidados mundanos e a avidez de possessões materiais. Concentra-te em ti mesmo, e não te entregues às ilusões do mundo finito, “Bhagavad-Gîtâ: a mensagem do mestre”

Uma das partes boas de se trabalhar no Santos FC é que, a qualquer momento, você pode cruzar com um ídolo do clube pelos corredores da Vila. Durante parte do período que lá estive, duas ou três vezes por semana, o Pepe nos dava esse prazer. Ele entrava na sala do departamento de Comunicação, cumprimentava a todos com sua “fofura” e sentava para contar histórias.

Sempre servíamos para ele um chá de máquina que o Canhão da Vila adora. A partir dali, com toda sua sabedoria, compartilhava conosco suas memórias, lembranças de uma trajetória vivida com plenitude dentro e fora dos campos.

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Reflexão nº 20 – Eu, Coutinho, Falcão e uma Libertadores

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Fotos: Clovis Fabiano / Futebol Tour

Quando saí de casa naquela quinta-feira (14/04/2011), pensava se conseguiríamos vencer o Cerro Porteño, no Paraguai, mesmo sem Neymar e Elano. Aquela partida valia a sobrevivência do Santos FC na Libertadores. O resultado podia significar um passo importante rumo às oitavas ou uma eliminação precoce na primeira fase.

Por isso, o ano do clube estava em jogo naquela noite. Aquela partida representava um divisor de águas em relação ao restante da temporada. Podia nos colocar no céu ou no inferno. Quis o destino que o jogo ainda acontecesse no mesmo dia em que o clube comemorava 99 anos de existência. Esse era nosso clima de trabalho naquele dia.

Apesar de toda essa atmosfera de ansiedade, os dias em que o Santos FC jogava fora de casa costumavam ser tranquilos para mim. Normalmente, não havia muito o que fazer até a hora do jogo. Como editor do site, eu costumava deixar tudo programado na véspera. Salvo raras exceções, tinha que fazer apenas alguns ajustes no site. Então, no mais, era esperar até a partida começar.

Mas aquela quinta-feira reservava algo de especial. Muito além do que qualquer coisa que eu pudesse imaginar.

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Reflexão nº 18 – Vida, amor e diversão

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Durante um período da vida, eu sonhava em ter um trabalho que girasse em torno do surf e da música, duas atividades que fazem minha alma vibrar. Por isso, eu “invejava” a vida de caras como Ben Harper, Donavon Frankenreiter, G-Love e Jack Johnson. Pensava no quanto eles deviam ser felizes por poderem trabalhar nesse universo.

Nessa fase, meus fins de noite costumavam ser em frente ao computador, vendo clipes e tentando tocar as músicas deles no violão. Em especial, eu gostava muito de ouvir uma música chamada “Life, love & laughter” (veja o clipe no fim do texto), do Donavon. Ela representava justamente o estilo de vida que eu queria ter: viver intensamente, amar muito a vida e dar muitas risadas, ser verdadeiramente feliz.

Não por acaso, fiz uma prancha com essas três palavras escritas nela: life, love e laughter. Algum tempo depois, descobri que o Donavon iria fazer um show no Guarujá. A apresentação aconteceria na praia, em frente ao aquário Acqua Mundo, e seria aberta ao público. Um final de tarde em um dia de semana.

Conversei com meu chefe, na época o Arnaldo Hase, e pedi autorização para sair mais cedo do Santos FC no dia do show. O único detalhe que esqueci foi calcular o tempo do trajeto com trânsito e balsa até o Guarujá.

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Reflexão nº 16 – Eu, a Vila e um professor

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Foto: Vinicios Oliveira

Os dias frios e nublados eram os mais difíceis de sair da cama. O sol empurra a gente para fora de casa. A chuva e o céu fechado dão preguiça, vontade de não fazer nada, passar o dia jogado no sofá.

Eu tinha um horário flexível para entrar no Santos FC e também já havia me acostumado com a rotina, disso eu não podia reclamar. O maior problema é que, como editor do site do clube, eu passava a maior parte do dia em frente a um computador. Essa rotina acabava comigo. Era sufocante. Eu precisava de ar livre, movimentar meu corpo.

Com o tempo, quase sem querer, descobri que as arquibancadas da Vila eram um bom lugar para encontrar ar puro. De lá, eu enxergava o estádio de cima, com amplitude. Ali, eu respirava, andava um pouco e pensava na vida. Olhava para o céu e relaxava. Era meu momento de meditação, reflexão.

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