Reflexão nº 57 – Mais Mujicas, por favor

“As coisas mais importantes são as mais difíceis de expressar. São coisas das quais você se envergonha, pois as palavras as diminuem – as palavras reduzem as coisas que pareciam ilimitáveis quando estavam dentro de você à mera dimensão normal quando são reveladas. Mas é mais que isso, não? As coisas mais importantes estão muito perto de onde seu segredo está enterrado (…). E você pode fazer revelações que lhe são muito difíceis e as pessoas te olharem de maneira esquisita, sem entender nada do que você disse nem por que eram tão importantes que você quase chorou enquanto as estava contando. Isso é pior, eu acho. Quando o segredo fica trancado lá dentro não por falta de um narrador, mas de alguém que compreenda”, “O Corpo”, Stephen King.

Recentemente, tive a chance de assistir pela segunda vez a uma aula sobre Filosofia da História, um olhar crítico sobre o que nos é contado sobre nosso passado. Essa é uma daquelas aulas que falam com nossa alma. Vê-la de novo foi como ler, ouvir ou assistir a um clássico mais uma vez.

O clássico só melhora. Cada vez que visitamos ele, percebemos um detalhe novo, algo que havíamos esquecido e resgatamos alguma coisa, recobramos nossa consciência. Quem sabe, lembranças da alma de vidas passadas.

Quando se olha a vida em busca de sentido, evolução, a filosofia da história é um dos temas que ajuda a clarear o quebra-cabeça. E quando a gente encaixa uma peça no quebra-cabeça da vida, a luz que se abre é de beleza divina.

Ouvi um exemplo bastante simples durante a aula que me pareceu evidenciar de maneira muito clara o problema que trata a filosofia da história. Um homem sofre um acidente. Perde totalmente sua memória. Deixa de saber quem é. Perde um bem precioso, sua identidade.

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Reflexão nº 44 – “Relatos Selvagens”: o que Jesus faria no meu lugar?

relatos_selvagens_filme_ricardo_darinFoto: Warner Bros. Pictures Brasil

Há alguns anos, conversando com uma amiga sobre como agir com sabedoria diante da loucura do mundo, ela me sugeriu uma simples pergunta: o que Jesus faria no seu lugar? Essa pergunta coloca as coisas em outro patamar. Nada melhor que tomar um sábio (Buda, Confúcio, Jesus, Sócrates) como referência quando o ódio e a raiva ameaçam nos cegar.

A princípio, o trailer de “Relatos Selvagens” (Relatos Salvajes, 2014, direção de Damián Szifron) me fez pensar em uma mistura de tragédia e comédia (a presença de Ricardo Darín também me despertou interesse). Mas ver o filme me fez pensar sobre essa pergunta. A narrativa nos conduz por uma série de histórias protagonizadas por personagens que, levados ao estresse (uns em maior e outros em menor proporção), perdem o controle, deixando aflorar o lado selvagem que habita cada um de nós.

Definitivamente, as coisas não terminam bem quando devolvemos intolerância com intolerância, corrupção com corrupção, injustiça com injustiça, traição com traição e violência com violência. A impressão que tenho é que nós mesmos somos os maiores prejudicados quando adotamos a Lei de Talião: “olho por olho, dente por dente”.

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Reflexão nº 27 – Pelo direito de errar, despertar e tentar outra vez

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Corpo: Alma, desculpe, fiz mer…

Alma: O que houve?

Corpo: Sabe aquela história de começar o dia com o pé direito?

Alma: O que tem?

Corpo: Então, só que não…

Alma: Só que não o quê? Explica logo. O que aconteceu?

Corpo: Sabe como é, né? Deixei os instintos falarem mais alto.

Alma: Toda vez é isso! Não posso tirar a atenção de você. Um minuto basta pra você estragar tudo.

Corpo: Também não exagera, vai. Sem drama. Um pedido de desculpa deve resolver a questão. E nem vem! A culpa também é sua. Esqueceu quem comanda as coisas?

Alma: Tudo bem, vai. Eu sei que sou eu. Mas estou confusa. Vou chamar o Espírito. Do contrário, vamos ficar andando em círculos.

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Reflexão nº 21 – “Se eu estiver atrapalhando, você fala, tá?”

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Fotos: Ricardo Saibun / Divulgação Santos FC

Procura para teu descanso a consciência do teu Eu Real, a Verdade eterna. Deixa longe de ti os cuidados mundanos e a avidez de possessões materiais. Concentra-te em ti mesmo, e não te entregues às ilusões do mundo finito, “Bhagavad-Gîtâ: a mensagem do mestre”

Uma das partes boas de se trabalhar no Santos FC é que, a qualquer momento, você pode cruzar com um ídolo do clube pelos corredores da Vila. Durante parte do período que lá estive, duas ou três vezes por semana, o Pepe nos dava esse prazer. Ele entrava na sala do departamento de Comunicação, cumprimentava a todos com sua “fofura” e sentava para contar histórias.

Sempre servíamos para ele um chá de máquina que o Canhão da Vila adora. A partir dali, com toda sua sabedoria, compartilhava conosco suas memórias, lembranças de uma trajetória vivida com plenitude dentro e fora dos campos.

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