Reflexão nº 59 – Maus pensamentos, um alien difícil de matar

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Crédito: www.morguefile.com

Eu não sei de onde ele veio, nem como apareceu. Aquela cena parecia um misto de realidade e fantasia, um desses universos paralelos para onde somos levados enquanto sonhamos.

Por mais que eu tente, não consigo me lembrar plenamente de sua forma primeira. Algo parecido com uma minhoca, mas de cor preta. Parecia um ser alienígena.

Eu sabia que aquilo não era bom, que precisava matá-lo. Talvez fossem minhas memórias de tantos filmes de ficção científica que me deixaram alerta. Me ajudaram a fazer uma leitura rápida da situação.

Sem pensar muito, pisei naquilo com meu tênis, mas, para meu desespero, ele ou ela não morreu. Aquela coisa se misturou ao meu calçado enquanto eu pisava nela. Penetrou meu cadarço, começou a se mover por dentro dele. Era simplesmente assustador.

Arranquei o tênis o mais rápido que pude, com muito medo que aquela coisa pudesse invadir meu corpo também. Se misturasse às minhas células, caísse em minha corrente sanguínea.

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Reflexão nº 38 – Fugindo de si mesma

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Foto: morguefile.com

Durante um tempo, lutando consigo mesma para não “despertar”, não se permitia ficar sozinha. Precisava sempre de companhia mesmo para as coisas mais simples. Mas, antes de entender profundamente o que a afligia, não via isso como um problema. Achava normal. Considerava apenas um traço da sua personalidade.

Não tinha plena consciência disso, mas, no fundo, tinha medo das reflexões que pudessem lhe assombrar. Medo de se encarar de frente. Medo de se defrontar com verdades que não queria enxergar.

Correr era um dos seus hobbies favoritos. A princípio, uma corrida deve proporcionar justamente um encontro com a gente. Um momento de paz, meditação. Acontece que ela colocava um fone no ouvido e vibrava de acordo com a trilha sonora. Apenas isso. Correr era uma maneira de fugir de si mesma.

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