Reflexão nº 23 – O poder de parar o tempo: um gol como Pelé

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Foto: Ricardo Saibun / Divulgação Santos FC

O difícil, o extraordinário, não é fazer mil gols, como Pelé. É fazer um gol como Pelé, Carlos Drummond de Andrade

Quando Neymar arrancava para um gol, sentíamos que ia marcar. A energia que ele transmitia não deixava dúvidas. Logo que ele pegava na bola e iniciava a corrida, sabíamos que aquele lance ia terminar no fundo das redes. Era como se aquele gol já existisse no “mundo das ideias” de Neymar. Ele apenas materializava o feito, tornava ele concreto aos nossos olhos.

Assim, nossa comemoração nascia no momento em que ele tocava na bola com aquela vibração que já conhecíamos. À medida que ele se aproximava do ápice, do ato final, a comemoração ia tomando corpo, crescendo. E, de dentro para fora, explodia quando a bola cruzava a linha do gol.

Neymar desafiava a física, fazia o tempo parar por um instante. Na fração de segundo seguinte, o estádio inteiro vinha abaixo.

O dom de congelar o tempo e fazer com que um momento se torne inesquecível parece andar de mãos dadas com nossa verdadeira vocação. Essa capacidade é, certamente, um dos “lances” da genialidade que cada um de nós carrega.

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Reflexão nº 17 – Um sonho sobre o mundo

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(…) quando analisamos o conceito de vocação, ele não é mais do que (…) a convocação de cada cidadão para aportar na sua sociedade com o que de forma mais inteligente e melhor sabe e pode fazer pelos demais, “A vocação nossa de cada dia”, Michel Echenique 

Imagine como seria viver em um mundo em que os finais de domingo não são depressivos, nem as segundas-feiras são desanimadoras. Todos os dias seriam como as sextas-feiras, estaríamos altamente motivados. Não necessariamente porque o dia seguinte é sábado, mas porque todos os dias sairíamos da cama para realizar exatamente aquilo que nascemos para fazer.

Um mundo em que as pessoas pudessem desempenhar sua verdadeira vocação, em que fazer o que se gosta não é exceção, mas regra. Esse processo poderia representar o fim de algumas profissões, mas, se nesse mundo não houvesse mais lixeiros, por exemplo, aprenderíamos desde cedo a cuidar do próprio lixo. Aprenderíamos a ter responsabilidade pelos próprios atos, por tudo que produzimos, consumimos e desperdiçamos.

Certamente, esse mundo também daria nascimento a outras profissões. Aptidões e qualidades que, muitas vezes, nem sonhamos que poderiam ser uma profissão. Esse mundo valorizaria o que há de melhor em cada um de nós, respeitando nossos limites e nos incentivando a alçar voos mais altos no campo da nossa vocação. Desde cedo, aprenderíamos a nos conhecer, enxergar nossas qualidades e defeitos.

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Reflexão nº 9 – Saindo da “caverna”: diálogo entre Corpo, Alma e Espírito

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Em uma “caverna” há tempos esquecida, um indivíduo está prestes a nascer…

Alma: Corpo, está acordado?

Corpo: Agora, estou.

Alma: Não tenho conseguido dormir. Algo me falta, mas não sei bem o quê. Sinto um vazio.

Corpo: Feche os olhos que passa. Mas se estiver com muita fome, posso buscar algo para você comer.

Alma: Não é disso que estou falando. Sinto um vazio interior, na minha existência. Sinto que há algo além das paredes dessa “caverna”.

Espírito: Olá.

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Reflexão nº 7 – “Só sei que nada sei”

Por mais que elementos da cultura tentem sufocar traços da natureza humana, continuamos inquietos, sedentos por conhecimentos “proibidos” que, muitas vezes, não sabemos nem nomear. Sabemos que falta algo, mas não sabemos bem o que.

O problema é que quando estamos perdidos, nem sempre é fácil diferenciar o falso do verdadeiro caminho que leva ao conhecimento. Podemos ser laçados por “inverdades”. Muitas vezes, a sede é tanta que, mesmo quando nos deparamos com “água suja”, corremos o risco de tomá-la pensando ser essa a verdadeira água dos deuses.

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Reflexão nº 3 – A pior forma de preconceito

Uma das piores formas de preconceito é aquela que resulta de uma ideia que está enraizada de tal maneira em nossa cultura que não é entendida como preconceito. Passa de geração em geração. Acaba se tornando lugar comum. Somos preconceituosos sem nos dar conta disso. Uma construção puramente cultural acaba se transformando em verdade natural.

Se aprendermos a conviver com o diferente, as coisas se tornam mais fáceis. Se nos enxergarmos como semelhantes, também. Evitando julgamentos, nos colocando no lugar do outro, respeitando as diferenças e olhando o outro como a nós mesmos.

A informação é o melhor antídoto contra o preconceito. Einstein disse que uma mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original. Que novas ideias nos tirem da escuridão. Derrubem o mito da caverna de Platão.