Reflexão nº 58 – O Sol é para todos

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Crédito: www.morguefile.com

 Atticus, ele era muito bom…

– A maioria das pessoas é, Scout, quando enfim as conhecemos.

O Sol é para todos, Harper Lee

Levei quase 31 anos para descobrir a existência de O Sol é para todos (To Kill a Mockingbird). Cheguei ao livro por acaso (apesar de não acreditar no acaso). Navegando pela internet, me deparei com uma matéria sobre a autora norte-americana Harper Lee. Somente agora, depois de 45 anos da publicação de O Sol é para todos (1960), ela lançava seu segundo livro: Vá, coloque um vigia.

Naquele momento, começou meu namoro com o Sol é para todos, um livro de capa laranja que passei observar com carinho todas as vezes que entrava em uma livraria. O que retardou minha compra foi a leitura de Americanah, da nigeriana Chimamanda Adichie (outro romance com uma bela crítica social).

Se você é viciado em – comprar – livros, já deve ter passado por isso. A promessa de não comprar um novo livro até que o último esteja terminado.

Quando então comecei a leitura de O Sol é para todos, me senti feliz por tê-lo encontrado. Comecei a pensar que, de fato, para alguém que tinha escrito um livro como aquele, conquistando um prêmio Pulitzer, não era necessário publicar outro.

O Sol é para todos é uma leitura inspiradora sobre justiça, bondade e verdade. Sobre o quanto devemos lutar por ideais e valores ainda que o mundo esteja esvaziado deles. Um advogado (Atticus Finch) que luta para inocentar um homem negro (Tom Robinson) acusado injustamente de estuprar uma mulher branca. Scout, filha de Atticus, já adulta, nos conduz por essa história que viveu na infância.

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Reflexão nº 52 – “Antes de dormir”: memória e identidade

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“Eu sei que vou dormir esta noite e que amanhã irei acordar novamente sem saber de nada, e o mesmo no dia seguinte, e no dia depois dele, para sempre. (…) Isso não é vida, é apenas uma existência, saltar de um momento para o outro sem ter ideia do passado, nem planos para o futuro. É como penso que deve ser a vida dos animais”, Christine, “Antes de dormir”

Imagine como seria acordar todas as manhãs sem saber quem você é? Um estranho em sua própria vida. Uma casa e um marido completamente desconhecidos. Uma vida toda desconhecida. Esse é o drama da personagem Christine, protagonista do livro de suspense “Antes de dormir” (editora Record 2015).

A foto da capa, a mesma do filme inspirado na obra e estrelado por Nicole Kidman, dá o ar de suspense do livro. Essa imagem me fez pegá-lo nas mãos. Folheando a obra, ainda na livraria, me chamou atenção o fato de que o autor, S. J. Watson, escreveu o livro (publicado originalmente em 2011) durante o primeiro curso “Como escrever um romance” (iniciado em 2009) de uma escola londrina chamada Faber Academy. A informação me pareceu inspiradora para quem gosta de escrever.

Além disso, Watson trabalhou no National Health Service (Serviço Nacional de Saúde) durante anos de acordo com informações do próprio livro. O que, certamente, lhe deu alguma propriedade para tratar o tema. Na nota do autor, inclusive, Watson escreve que o livro foi inspirado na vida de diversos pacientes amnésicos.

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Reflexão n° 42 – “Novembro de 63” e os perigos da viagem no tempo

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O livro “Novembro de 63”, de Sthepen King, me fez pensar sobre a viagem no tempo. Em particular, os “perigos” dela. Na narrativa, o professor de inglês Jake Epping volta no tempo para tentar evitar a morte do presidente norte-americano John Kennedy. Na trama, a viagem no tempo sempre leva o professor ao ano de 1958, o que lhe dá a chance de “corrigir” outras coisas antes do evento que o levou, de fato, a voltar no tempo (Tenho curiosidade de ver como o livro ficaria retratado em um filme).

Mesmo se tratando de uma ficção, é interessante observar os desdobramentos que uma mudança no passado provoca no tempo presente. O tal efeito borboleta. Até mesmo um ato que pretende corrigir uma injustiça, um crime ou um erro qualquer. As consequências fogem do controle de Jake Epping.

A impressão que tenho é que as consequências também fugiriam do controle de qualquer protagonista do mundo real caso pudéssemos voltar ao passado. Não acredito que nos daríamos bem brincando de viajantes do tempo. Os resultados poderiam ser catastróficos.

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