Reflexão nº 49 – Homem-Aranha, intuição e uns bons “loucos” incompreendidos

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Foto: www.morguefile.com

“Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”, tio Ben. 

Essa é uma frase clássica (e muito verdadeira) que envolve o personagem Homem-Aranha, um dos meus heróis prediletos. Um dos super poderes dele é o chamado “spider sense”, uma espécie de radar que alerta ele sobre qualquer perigo iminente. Esse senso aguçado em relação ao perigo, um pressentimento, me parece uma das características da intuição. Talvez por isso minha cabeça tenha feito essa analogia.

Sempre entendi a intuição apenas como um pressentimento. Mas, recentemente, descobri que a intuição também representa um conhecimento claro, imediato e espontâneo da verdade. Fez todo sentido. Algo que sabemos, simples assim.

Dentro desse contexto, ainda aprendi que a intuição é a morada da inteligência. E que a inteligência nada mais é do que a capacidade de discernimento, de ver com clareza as coisas como elas são. É um pensar com objetividade.

Saber disso me fez pensar por que nossa capacidade de intuição é tão sufocada pelo mundo, já que ela passa justamente pela inteligência. Quantas e quantas vezes a intuição nos aponta um caminho enquanto a lógica do mundo diz exatamente o oposto? Um olhar ingênuo da minha parte. Esperar sanidade de um mundo louco é ser tão louco quanto ele.

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Reflexão nº 48 – A lagarta que não queria virar borboleta

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Mesmo sabendo que aquela mutação fazia parte do seu ciclo natural, nossa amiga lagarta estava com medo de virar borboleta. Ela já havia se habituado a ser uma lagarta. Rastejar pelos galhos, comer folhas, gostava da sua rotina e do ambiente que habitava. No fundo, era isso. Ela não queria mudanças.

Primeiro, ficar dentro de um casulo parecia algo claustrofóbico demais. “E se faltar o ar? Uma vez lá dentro, terei que esperar o processo todo acabar. Não sei se consigo”. Segundo, voar parecia uma experiência arriscada demais, que escapava do seu universo seguro. “E se eu cair em meio a um voo? Se eu não aprender a voar? Como será essa nova vida?”.

Por mais que o medo seja um componente importante para a preservação da vida, ela estava passando da conta. Naquela situação, o medo estava tomando conta dela, paralisando-a, impedindo que seguisse seu processo evolutivo, seu destino. Aquilo não era bom. Sem se dar conta disso, nossa amiga lagarta já estava dentro de um casulo, o casulo da sua própria ignorância.

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Reflexão nº 40 – “Interestelar”: quem pode nos proteger de nós mesmos?

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“Posso te proteger de tudo, menos de você mesmo”

Um homem se vê no passado. Tenta, desesperadamente, convencer a si próprio a escolher um outro caminho. Tomar uma decisão diferente daquela que o havia colocado naquela situação no tempo presente. Nessa tentativa, pede a ajuda da filha. Mas, no passado, nem mesmo ela foi capaz de demovê-lo daquela escolha. Ele estava tão cego e obcecado que ninguém seria capaz de impedí-lo, nem ele próprio, ainda que em outro tempo e espaço.

De fato, ninguém pode nos proteger de nós mesmos. A primeira vez que pensei sobre isso foi por conta da minha mãe. “Posso te proteger de tudo, menos de você mesmo”. Aquela frase doeu. Doeu pensar sobre nossa impotência para proteger o outro, aquele que amamos, dele mesmo. Além disso, quando estamos cegos e obcecados, nossa consciência também não é capaz de nos salvar de nós mesmos.

O momento que descrevi no início desse texto é uma das cenas emblemáticas do incrível “Interestelar” (“Interstellar”, 2014, direção de Christopher Nolan). Estrelado por nomes como Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Jessica Chastain e Matt Damon, o filme é muito mais que uma obra de ficção científica. É repleto de momentos de relexão sobre a vida e nossa existência, tudo permeado por belíssimos efeitos especiais.

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Reflexão nº 31 – “A ciência de viver é a arte de amar”

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“Sobre este axioma a toda hora haverás de meditar: a ciência de viver é a arte de amar”, Rubem Dario

Espírito: Olá, Alma.

Alma: Olá, Espírito. Como é bom ver você.

Espírito: Senti que queria falar comigo.

Alma: Queria mesmo. Tenho procurado me manter atenta e consciente. Mesmo assim, nem sempre é fácil saber a decisão certa a se tomar, como agir. Isso me trava. Fico com medo de errar.

Espírito: Não dê tanto valor à possibilidade de erro. O mais importante é a real intenção das suas ações. Acredite mais na sua intuição. Realize o que sente que é o certo a se fazer.

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Reflexão nº 15 – Um conto de suspense

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Edição Carolina Rodrigues

Capítulo 1

A água que havia invadido a pequena embarcação já molhava seus pés. A escuridão do pântano a deixava repleta de medo. Ela estava tão apavorada que irrompeu num misto de choro e gemido.

Ameaçava gritar por socorro, mas sabia que ninguém ia ajudá-la. No meio daquela escuridão, viu algo se mexer no lado oposto de onde estava sentada. Algo parecia ter se arrastado na superfície da água que havia no fundo da embarcação.

Ver aquele ser que não sabia o que era a deixou apavorada. O susto a fez dar um pulo para trás que fez o barco balançar. De pé, equilibrou-se, mas quase caiu na água.

Mergulhar naquele líquido pantanoso em meio à escuridão era tudo que ela não queria. Só de pensar que podia ter caído na água lhe dava vertigem.

Mas, afinal, o que havia visto se mexer? Será que não se enganara? Tinha algo realmente na outra ponta do barco?

Tentou parar de pensar naquilo e se convencer de que não era nada. Apenas a imaginação alimentada pelo medo. “Você não viu nada. Você não viu nada”. Foi o que começou a sussurrar para si mesma.

O barco seguia à deriva. Com o motor quebrado, ia conforme a leve correnteza do pântano. Às vezes, ainda esbarrava em algum galho ou vegetação. Mas nada que o fizesse parar.

Ainda assustada sobre o possível vulto, tentou fechar os olhos, levar os pensamentos para longe dali. Buscou resgatar lembranças da infância, uma tarde brincando no parque. “Isso”. Aquele pensamento começou a lhe dar uma sensação de tranquilidade.

O cansaço já era tamanho que adormeceu em meio àquela lembrança.

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Reflexão nº 11 – Pensamentos conflituosos: intuição ou irracionalidade?

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Em algum lugar do planeta, após nascer como indivíduo, uma alma começa a refletir…

Alma: Espírito, está aí?

Espírito: Olá.

Alma: Desde nosso último encontro, tenho refletido bastante.

Espírito: Refletir é bom. Sobre o que tem pensado?

Alma: São pensamentos estranhos. Me fazem sentir em plenitude, mas nem tudo faz sentido.

Espírito: Se te fazem sentir paz, não há razão para não alimentá-los.

Alma: Eles vão de encontro a muitas coisas que sempre tive como verdades. Isso me deixa em conflito.

Espírito: A verdadeira verdade nem sempre agrada num primeiro momento. Mas depois torna-se libertadora. Não tenha medo de refletir.

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