Reflexão nº 46 – “Não olhe para trás”: por uma vida sem culpa

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O que você faria se descobrisse que, há 40 anos, John Lennon te enviou uma carta? E que as palavras dele poderiam ter feito toda diferença para os rumos da sua vida. Mas você só recebeu a carta agora. Depois que se perdeu, esqueceu o caminho de casa.

Dentro desse contexto, pensei que a culpa seria um sentimento marcante em “Não Olhe Para Trás” (Danny Collins, 2015, direção de Dan Fogelman). Mas me surpreendi (meus pais assistiram ao filme e recomendaram que eu fizesse o mesmo). A carta serve como um despertar de consciência para o personagem vivido por Al Pacino, que decide resgatar sua essência e corrigir os erros do passado. O mais impressionante é que ele não se martiriza pensando nas falhas que cometeu. Apenas foca em mudar e melhorar no presente.

É claro que as coisas não são tão simples assim. Uma das frases de Al Pacino no filme é “Ninguém compra o perdão”. Além disso, tomar consciência não significa não cometer mais erros na vida. Mas a ausência da culpa em todo esse processo me pareceu algo muito sábio na mensagem que o filme transmite.

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Reflexão nº 44 – “Relatos Selvagens”: o que Jesus faria no meu lugar?

relatos_selvagens_filme_ricardo_darinFoto: Warner Bros. Pictures Brasil

Há alguns anos, conversando com uma amiga sobre como agir com sabedoria diante da loucura do mundo, ela me sugeriu uma simples pergunta: o que Jesus faria no seu lugar? Essa pergunta coloca as coisas em outro patamar. Nada melhor que tomar um sábio (Buda, Confúcio, Jesus, Sócrates) como referência quando o ódio e a raiva ameaçam nos cegar.

A princípio, o trailer de “Relatos Selvagens” (Relatos Salvajes, 2014, direção de Damián Szifron) me fez pensar em uma mistura de tragédia e comédia (a presença de Ricardo Darín também me despertou interesse). Mas ver o filme me fez pensar sobre essa pergunta. A narrativa nos conduz por uma série de histórias protagonizadas por personagens que, levados ao estresse (uns em maior e outros em menor proporção), perdem o controle, deixando aflorar o lado selvagem que habita cada um de nós.

Definitivamente, as coisas não terminam bem quando devolvemos intolerância com intolerância, corrupção com corrupção, injustiça com injustiça, traição com traição e violência com violência. A impressão que tenho é que nós mesmos somos os maiores prejudicados quando adotamos a Lei de Talião: “olho por olho, dente por dente”.

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Reflexão nº 40 – “Interestelar”: quem pode nos proteger de nós mesmos?

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“Posso te proteger de tudo, menos de você mesmo”

Um homem se vê no passado. Tenta, desesperadamente, convencer a si próprio a escolher um outro caminho. Tomar uma decisão diferente daquela que o havia colocado naquela situação no tempo presente. Nessa tentativa, pede a ajuda da filha. Mas, no passado, nem mesmo ela foi capaz de demovê-lo daquela escolha. Ele estava tão cego e obcecado que ninguém seria capaz de impedí-lo, nem ele próprio, ainda que em outro tempo e espaço.

De fato, ninguém pode nos proteger de nós mesmos. A primeira vez que pensei sobre isso foi por conta da minha mãe. “Posso te proteger de tudo, menos de você mesmo”. Aquela frase doeu. Doeu pensar sobre nossa impotência para proteger o outro, aquele que amamos, dele mesmo. Além disso, quando estamos cegos e obcecados, nossa consciência também não é capaz de nos salvar de nós mesmos.

O momento que descrevi no início desse texto é uma das cenas emblemáticas do incrível “Interestelar” (“Interstellar”, 2014, direção de Christopher Nolan). Estrelado por nomes como Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Jessica Chastain e Matt Damon, o filme é muito mais que uma obra de ficção científica. É repleto de momentos de relexão sobre a vida e nossa existência, tudo permeado por belíssimos efeitos especiais.

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Reflexão n° 39 – “À procura da felicidade”

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“Se tiver um sonho, tem de protegê-lo (…). Se quiser algo, vá buscar”, Chris Gardner, “À procura da felicidade”

Persistir, persistir, persistir e, independente dos obstáculos, continuar tentando até alcançar seu sonho. Essa é a mensagem principal de “À procura da felicidade” (The Pursuit of Happyness, 2006, direção de Gabriele Muccino), um exercício de fé e esperança.

“Graças” a um problema na bateria do meu notebook, recentemente, tive a chance de assistir ao filme pela segunda vez. Isso aconteceu enquanto usava o note de uma amiga para uma sobrecarga na minha bateria (quase uma barriga de aluguel entre computadores). Como não acredito em coincidências e nem no acaso, creio que a essência da mensagem do filme tivesse algo a me dizer.

Estrelado por Will Smith e Jaden Smith, seu filho na vida real, o filme narra uma trajetória de superação inspirada na vida do empresário norte-americano Chris Gardner. Um pai solteiro que luta para sobreviver em meio a adversidades financeiras que chegam a deixar ele e o filho desabrigados.

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Reflexão n° 35 – “A Vida Secreta de Walter Mitty”: pare de sonhar, comece a viver

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Durante parte da infância, o desenho “Fantástico mundo de Bobby” e o seriado “Mundo da Lua”, da TV Cultura, foram alguns dos meus programas favoritos. Quando criança, muitas vezes, me sentia como Bobby ou como Lucas Silva & Silva: “Planeta Terra chamando! Planeta Terra chamando!”. Deixando minha imaginação me levar aonde ela quisesse. No meu mundo de sonhos, podia ser e fazer o que quisesse. Não havia limites.

Fui crescendo e descobri que, para que sonhos se tornem realidade, é preciso ação. Não há outro caminho. Do contrário, as coisas vão continuar acontecendo apenas no plano da fantasia. O que, no fundo, traz mais frustração que satisfação. Essa é a mensagem principal de “A Vida Secreta de Walter Mitty” (“The Secret Life of Walter Mitty”, 2013): pare de sonhar, comece a viver!

Dirigido e estrelado por Ben Stiller, o filme nos conduz por uma narrativa inspiradora ao som de Queen (“Bohemian Rhapsody”), David Bowie (“Space Oddity”) e Of Monsters and Men (“Dirty Paws”). Só pela trilha sonora já valeria, mas o filme é muito bom! Misturando aventura e drama com leveza e bom humor.

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Reflexão nº 32 – “Click” e o piloto automático

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“Click” (2006) deveria ser um filme de comédia, não é? Então por que quase chorei no meio do filme? Não sei se isso aconteceu com mais alguém.

Considero incrível essa capacidade dos filmes e dos livros de tratar questões tão importantes por meio de representações que “brincam” com um problema. Quando a gente menos espera, a narrativa nos leva à verdadeira reflexão que pretendia.

Adam Sandler interpreta o protagonista da narrativa. Ele é um funcionário dedicado, marido apaixonado e “super-pai” de dois filhos. Não é preciso ser pai nem marido para saber que nem sempre é fácil equilibrar tudo isso.

Um dia, em uma loja de departamento bem típica dos filmes norte-americanos, um funcionário (Christopher Walken) oferece a ele um controle remoto que lhe permite “brincar” com a própria vida como se ela fosse um filme. Acelerar as partes “chatas”, pausar, tirar o som dos personagens que incomodam.

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Reflexão nº 29 – “Questão de tempo” e o significado da vida

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Fonte: Divulgação Universal Pictures

Imagine como seria ter a chance de viver sua vida toda de novo. Passar por tudo que já passou. Como lidaria com as mesmas situações? Que decisões tomaria? Essa é reflexão proposta por “Questão de tempo” (About time, 2013, direção: Richard Curtis), “uma comédia sobre amor, viagens no tempo e o significado da vida”, segundo as palavras do diretor, Richard Curtis (roteirista de “Quatro Casamentos e um funeral”, “O Diário de Bridget Jones” e “Um Lugar chamado Notting Hill”).

Tim (Domhnall Gleeson), protagonista do filme, herda do pai (Bill Nighy) o dom da viagem no tempo. Assim, tem a chance de voltar a momentos do passado tantas e quantas vezes quiser, interferindo diretamente nos rumos da sua vida no tempo presente. Com muita leveza e espirituosidade, pai e filho nos conduzem por essa trama que também conta com Rachel McAdams (Mary), par romântico de Tim.

“Questão de tempo” dá uma sensação que a gente não quer que passe. Somos envolvidos por um clima otimista e inspirados a enxergar sempre o lado bom das coisas, rir dos problemas, ver graça na vida. Mais do que isso, o filme nos inspira a colocar em prática esse olhar espirituoso para com a vida.

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