Reflexão nº 56 – “Ensaio sobre a cegueira”, a lucidez e a esperança

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(…) a cegueira também é isto, viver num mundo onde se tenha acabado a esperança, “Ensaio sobre a cegueira”, José Saramago

A metáfora de uma cegueira que não é física, mas da alma. E que, no fundo, é a pior cegueira que pode existir. Foi por essa reflexão de beleza sublime que me senti conduzido por Saramago em “Ensaio sobre a cegueira” (Companhia das Letras, 1995).

Preservar o belo dentro de uma representação trágica é, certamente, a expressão de um talento que se conecta com Deus. Saramago tem o belo dom de ajudar seu leitor a pensar com a alma partindo de uma dor que atinge o físico. Minha leitura é de que cada um daqueles personagens centrais representa um traço da personalidade humana. É como se todos eles reunidos formassem um único homem ou mulher.

A narrativa é permeada por frases e expressões sutis e profundas que nos levam – quase que pelas mãos – a uma reflexão para além das páginas. Como o pai que segura o filho pelas mãos e o ensina a atravessar a rua, numa simples e profunda demonstração de amor. Tudo isso com uma construção literária muito própria de Saramago.

Felizmente, como a história humana tem mostrado, não é raro que uma coisa má traga consigo uma coisa boa, fala-se menos das coisas más trazidas pelas coisas boas, assim andam as contradições do nosso mundo (…), “Ensaio sobre a cegueira”.

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Reflexão nº 55 – A beleza intangível do amor

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Foto: www.morguefile.com

O amor é, de fato, sereno, seja ele da natureza que for. Ele acalma a alma. Apazigua o espírito.

O amor carrega a felicidade em tamanho de semente que, quando cultivada, cresce exponencialmente até chegar ao infinito.

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Reflexão nº 50 – “O amor é cego”: só que não

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“O amor é cego” é uma daquelas expressões que, apesar de popular, não é verdadeira. Cegueira não tem nada a ver com amor. Cegueira tem a ver com paixão ou qualquer tipo de relação de dependência. Em ambos os casos, o que enxergamos é uma visão distorcida das coisas, uma idolatria irreal.

O amor não carrega essa distorção. O amor nos permite justamente enxergar o outro e a nós mesmos de maneira verdadeira e sincera (o que inclui defeitos e qualidades). Isso é o que há de mais belo no amor, essa transparência que amplia nossa consciência, nos eleva. E, como minha namorada costuma dizer, acima de tudo, estabelece uma relação de respeito.

Há alguns dias, vi um comercial da comédia “O amor é cego” (Shallow Hal, 2001, direção de Bobby Farrelly e Peter Farrelly). Ver algumas cenas do filme (estrelado por Jack Black e Gwyneth Paltrow) me fez pensar sobre isso. Eu era um adolescente quando assisti a essa comédia. Confesso que não me lembro se, naquela época, absorvi a mensagem mais importante do filme.

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Reflexão nº 47 – Padrinho: um chamado para (toda) a vida

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Existem famílias que escolhemos e há aquelas que nos escolhem. Nesse caso, aconteceu as duas coisas. Primeiro, eles me escolheram. Depois, eu também os escolhi quando decidi dizer “sim”.

“Rafa, qual você acha que deve ser o papel de um padrinho?”. Por uma fração de segundos, quando ouvi essa pergunta, pensei que ela podia representar algo maior. Se fosse isso, ela podia ser o último “teste” da minha avaliação para um presente que, até aquele momento, eu nem sonhava que pudesse receber.

Tentando acertar a resposta, como um aluno diante de uma chamada oral, disse algo que aprendi com meus pais: “Fazer as vezes dos pais quando eles não estão presentes”.

Minha intuição estava certa e creio que minha resposta também deve ter ajudado a confirmá-la. Aquela pergunta precedeu um dos convites mais belos que alguém pode ter o privilégio de receber. Um chamado para (toda) a vida.

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Reflexão n° 39 – “À procura da felicidade”

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“Se tiver um sonho, tem de protegê-lo (…). Se quiser algo, vá buscar”, Chris Gardner, “À procura da felicidade”

Persistir, persistir, persistir e, independente dos obstáculos, continuar tentando até alcançar seu sonho. Essa é a mensagem principal de “À procura da felicidade” (The Pursuit of Happyness, 2006, direção de Gabriele Muccino), um exercício de fé e esperança.

“Graças” a um problema na bateria do meu notebook, recentemente, tive a chance de assistir ao filme pela segunda vez. Isso aconteceu enquanto usava o note de uma amiga para uma sobrecarga na minha bateria (quase uma barriga de aluguel entre computadores). Como não acredito em coincidências e nem no acaso, creio que a essência da mensagem do filme tivesse algo a me dizer.

Estrelado por Will Smith e Jaden Smith, seu filho na vida real, o filme narra uma trajetória de superação inspirada na vida do empresário norte-americano Chris Gardner. Um pai solteiro que luta para sobreviver em meio a adversidades financeiras que chegam a deixar ele e o filho desabrigados.

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Reflexão nº 31 – “A ciência de viver é a arte de amar”

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Foto: www.morguefile.com

“Sobre este axioma a toda hora haverás de meditar: a ciência de viver é a arte de amar”, Rubem Dario

Espírito: Olá, Alma.

Alma: Olá, Espírito. Como é bom ver você.

Espírito: Senti que queria falar comigo.

Alma: Queria mesmo. Tenho procurado me manter atenta e consciente. Mesmo assim, nem sempre é fácil saber a decisão certa a se tomar, como agir. Isso me trava. Fico com medo de errar.

Espírito: Não dê tanto valor à possibilidade de erro. O mais importante é a real intenção das suas ações. Acredite mais na sua intuição. Realize o que sente que é o certo a se fazer.

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Reflexão nº 29 – “Questão de tempo” e o significado da vida

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Fonte: Divulgação Universal Pictures

Imagine como seria ter a chance de viver sua vida toda de novo. Passar por tudo que já passou. Como lidaria com as mesmas situações? Que decisões tomaria? Essa é reflexão proposta por “Questão de tempo” (About time, 2013, direção: Richard Curtis), “uma comédia sobre amor, viagens no tempo e o significado da vida”, segundo as palavras do diretor, Richard Curtis (roteirista de “Quatro Casamentos e um funeral”, “O Diário de Bridget Jones” e “Um Lugar chamado Notting Hill”).

Tim (Domhnall Gleeson), protagonista do filme, herda do pai (Bill Nighy) o dom da viagem no tempo. Assim, tem a chance de voltar a momentos do passado tantas e quantas vezes quiser, interferindo diretamente nos rumos da sua vida no tempo presente. Com muita leveza e espirituosidade, pai e filho nos conduzem por essa trama que também conta com Rachel McAdams (Mary), par romântico de Tim.

“Questão de tempo” dá uma sensação que a gente não quer que passe. Somos envolvidos por um clima otimista e inspirados a enxergar sempre o lado bom das coisas, rir dos problemas, ver graça na vida. Mais do que isso, o filme nos inspira a colocar em prática esse olhar espirituoso para com a vida.

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Reflexão nº 27 – Pelo direito de errar, despertar e tentar outra vez

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Corpo: Alma, desculpe, fiz mer…

Alma: O que houve?

Corpo: Sabe aquela história de começar o dia com o pé direito?

Alma: O que tem?

Corpo: Então, só que não…

Alma: Só que não o quê? Explica logo. O que aconteceu?

Corpo: Sabe como é, né? Deixei os instintos falarem mais alto.

Alma: Toda vez é isso! Não posso tirar a atenção de você. Um minuto basta pra você estragar tudo.

Corpo: Também não exagera, vai. Sem drama. Um pedido de desculpa deve resolver a questão. E nem vem! A culpa também é sua. Esqueceu quem comanda as coisas?

Alma: Tudo bem, vai. Eu sei que sou eu. Mas estou confusa. Vou chamar o Espírito. Do contrário, vamos ficar andando em círculos.

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Reflexão nº 22 – Amar o próximo como a nós mesmos

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Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento.

E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.

Marcos 12:30-31

Alma: Espírito, está aí?

Espírito: Sempre.

Alma: Estou com uma dúvida.

Espírito: Vamos lá. Diga.

Alma: Às vezes, sinto que estou evoluindo, mas, quando olho ao meu redor, vejo que há muitas outras Almas “melhores” que eu. Minha intuição diz que não devo me frustrar, mas, mesmo assim, não tenho certeza se estou no caminho certo.

Espírito: Nossa evolução é uma luta que travamos com nós mesmos. Cada vida é uma vida, com suas próprias conquistas e desafios. A Terra não para quando partimos, mas nossa existência aqui é única. Não há ninguém igual a ninguém. Cada um de nós é um.

Alma: Humm. Nesse sentido, somos insubstituíveis, certo?

Espírito: Certo.

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Reflexão nº 18 – Vida, amor e diversão

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Durante um período da vida, eu sonhava em ter um trabalho que girasse em torno do surf e da música, duas atividades que fazem minha alma vibrar. Por isso, eu “invejava” a vida de caras como Ben Harper, Donavon Frankenreiter, G-Love e Jack Johnson. Pensava no quanto eles deviam ser felizes por poderem trabalhar nesse universo.

Nessa fase, meus fins de noite costumavam ser em frente ao computador, vendo clipes e tentando tocar as músicas deles no violão. Em especial, eu gostava muito de ouvir uma música chamada “Life, love & laughter” (veja o clipe no fim do texto), do Donavon. Ela representava justamente o estilo de vida que eu queria ter: viver intensamente, amar muito a vida e dar muitas risadas, ser verdadeiramente feliz.

Não por acaso, fiz uma prancha com essas três palavras escritas nela: life, love e laughter. Algum tempo depois, descobri que o Donavon iria fazer um show no Guarujá. A apresentação aconteceria na praia, em frente ao aquário Acqua Mundo, e seria aberta ao público. Um final de tarde em um dia de semana.

Conversei com meu chefe, na época o Arnaldo Hase, e pedi autorização para sair mais cedo do Santos FC no dia do show. O único detalhe que esqueci foi calcular o tempo do trajeto com trânsito e balsa até o Guarujá.

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