Reflexão nº 51 – A preguiça das tardes de chuva

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Foto: www.morguefile.com

As tardes de chuva lembram minha infância. A água escorrendo sobre o vidro da janela. O barulho da água no atrito com o chão. O cheiro de mato molhado no quintal. São tardes de preguiça sem peso na consciência.

O sol nos expulsa de casa. Me dá uma certa sensação de “culpa” passar uma tarde de sol sem ver o mundo que há para além dos limites do meu próprio mundo. Nas tardes de chuva essa sensação se esvai. Há um bom pretexto para permanecer dentro de casa. Sem fazer absolutamente nada.

Talvez, os dias de chuva, frios e nublados, não sejam por acaso. A sabedoria da natureza nos oferecendo um descanso merecido e necessário para repor as energias. Nos deixar carregados novamente para os dias de sol. Um momento para refletir sobre a razão de corrermos tanto nos dias de sol.

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Reflexão nº 50 – “O amor é cego”: só que não

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“O amor é cego” é uma daquelas expressões que, apesar de popular, não é verdadeira. Cegueira não tem nada a ver com amor. Cegueira tem a ver com paixão ou qualquer tipo de relação de dependência. Em ambos os casos, o que enxergamos é uma visão distorcida das coisas, uma idolatria irreal.

O amor não carrega essa distorção. O amor nos permite justamente enxergar o outro e a nós mesmos de maneira verdadeira e sincera (o que inclui defeitos e qualidades). Isso é o que há de mais belo no amor, essa transparência que amplia nossa consciência, nos eleva. E, como minha namorada costuma dizer, acima de tudo, estabelece uma relação de respeito.

Há alguns dias, vi um comercial da comédia “O amor é cego” (Shallow Hal, 2001, direção de Bobby Farrelly e Peter Farrelly). Ver algumas cenas do filme (estrelado por Jack Black e Gwyneth Paltrow) me fez pensar sobre isso. Eu era um adolescente quando assisti a essa comédia. Confesso que não me lembro se, naquela época, absorvi a mensagem mais importante do filme.

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Reflexão nº 49 – Homem-Aranha, intuição e uns bons “loucos” incompreendidos

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Foto: www.morguefile.com

“Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”, tio Ben. 

Essa é uma frase clássica (e muito verdadeira) que envolve o personagem Homem-Aranha, um dos meus heróis prediletos. Um dos super poderes dele é o chamado “spider sense”, uma espécie de radar que alerta ele sobre qualquer perigo iminente. Esse senso aguçado em relação ao perigo, um pressentimento, me parece uma das características da intuição. Talvez por isso minha cabeça tenha feito essa analogia.

Sempre entendi a intuição apenas como um pressentimento. Mas, recentemente, descobri que a intuição também representa um conhecimento claro, imediato e espontâneo da verdade. Fez todo sentido. Algo que sabemos, simples assim.

Dentro desse contexto, ainda aprendi que a intuição é a morada da inteligência. E que a inteligência nada mais é do que a capacidade de discernimento, de ver com clareza as coisas como elas são. É um pensar com objetividade.

Saber disso me fez pensar por que nossa capacidade de intuição é tão sufocada pelo mundo, já que ela passa justamente pela inteligência. Quantas e quantas vezes a intuição nos aponta um caminho enquanto a lógica do mundo diz exatamente o oposto? Um olhar ingênuo da minha parte. Esperar sanidade de um mundo louco é ser tão louco quanto ele.

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Reflexão nº 48 – A lagarta que não queria virar borboleta

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Mesmo sabendo que aquela mutação fazia parte do seu ciclo natural, nossa amiga lagarta estava com medo de virar borboleta. Ela já havia se habituado a ser uma lagarta. Rastejar pelos galhos, comer folhas, gostava da sua rotina e do ambiente que habitava. No fundo, era isso. Ela não queria mudanças.

Primeiro, ficar dentro de um casulo parecia algo claustrofóbico demais. “E se faltar o ar? Uma vez lá dentro, terei que esperar o processo todo acabar. Não sei se consigo”. Segundo, voar parecia uma experiência arriscada demais, que escapava do seu universo seguro. “E se eu cair em meio a um voo? Se eu não aprender a voar? Como será essa nova vida?”.

Por mais que o medo seja um componente importante para a preservação da vida, ela estava passando da conta. Naquela situação, o medo estava tomando conta dela, paralisando-a, impedindo que seguisse seu processo evolutivo, seu destino. Aquilo não era bom. Sem se dar conta disso, nossa amiga lagarta já estava dentro de um casulo, o casulo da sua própria ignorância.

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Reflexão nº 47 – Padrinho: um chamado para (toda) a vida

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Existem famílias que escolhemos e há aquelas que nos escolhem. Nesse caso, aconteceu as duas coisas. Primeiro, eles me escolheram. Depois, eu também os escolhi quando decidi dizer “sim”.

“Rafa, qual você acha que deve ser o papel de um padrinho?”. Por uma fração de segundos, quando ouvi essa pergunta, pensei que ela podia representar algo maior. Se fosse isso, ela podia ser o último “teste” da minha avaliação para um presente que, até aquele momento, eu nem sonhava que pudesse receber.

Tentando acertar a resposta, como um aluno diante de uma chamada oral, disse algo que aprendi com meus pais: “Fazer as vezes dos pais quando eles não estão presentes”.

Minha intuição estava certa e creio que minha resposta também deve ter ajudado a confirmá-la. Aquela pergunta precedeu um dos convites mais belos que alguém pode ter o privilégio de receber. Um chamado para (toda) a vida.

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Reflexão nº 46 – “Não olhe para trás”: por uma vida sem culpa

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O que você faria se descobrisse que, há 40 anos, John Lennon te enviou uma carta? E que as palavras dele poderiam ter feito toda diferença para os rumos da sua vida. Mas você só recebeu a carta agora. Depois que se perdeu, esqueceu o caminho de casa.

Dentro desse contexto, pensei que a culpa seria um sentimento marcante em “Não Olhe Para Trás” (Danny Collins, 2015, direção de Dan Fogelman). Mas me surpreendi (meus pais assistiram ao filme e recomendaram que eu fizesse o mesmo). A carta serve como um despertar de consciência para o personagem vivido por Al Pacino, que decide resgatar sua essência e corrigir os erros do passado. O mais impressionante é que ele não se martiriza pensando nas falhas que cometeu. Apenas foca em mudar e melhorar no presente.

É claro que as coisas não são tão simples assim. Uma das frases de Al Pacino no filme é “Ninguém compra o perdão”. Além disso, tomar consciência não significa não cometer mais erros na vida. Mas a ausência da culpa em todo esse processo me pareceu algo muito sábio na mensagem que o filme transmite.

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Reflexão nº 45 – Sobre a fé (em nós mesmos)

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Foto: www.morguefile.com

Por Carolina Rodrigues*

Outra dia assisti a um filme, em que um menininho contava uma piada:

Um homem estava se afogando. Passa um barco e os marinheiros lhe jogam uma boia. “Não, obrigado, Deus vai me salvar!”. O barco vai embora. Dali a pouco, surge outro barco e seus ocupantes tentam novamente ajudá-lo, em vão: “Deus vai me salvar!”. E o segundo barco também segue seu rumo. Não muito depois, o homem enfim morre afogado. Chegando ao céu, ao encontrar-se com Deus, lhe pergunta: “Deus, por que você não me salvou?”. Ele responde: “eu te mandei dois barcos, seu idiota!”.

Achei a historinha engraçada e espirituosa. Passou.

Então, algumas semanas depois, alguns acontecimentos fizeram com que ela voltasse à minha memória.

Por que o ser humano adora depositar o destino de sua vida nas mãos de uma suposta divindade?

Muitos estudos revelam que quem tem fé vive mais. E acho ótimo uma pessoa confiar numa energia superior. De certa forma isso é tranquilizador.

Mas, pra mim, o problema está em quando você joga toda a responsabilidade da sua vida nessa força externa.

Exemplo: a pessoa está desempregada, louca para arrumar um emprego. Decide acender uma vela de 7 dias para algum santo milagroso. E passa 80% do tempo livre no sofá, assistindo à TV e esperando o milagre bater em sua porta.

O ser humano faz isso demasiadamente.

É fácil pedir. Difícil é correr atrás.

Então, se você quer alguma coisa, qualquer coisa, faça por onde. Acenda sua vela e vá à luta.

Sobre a autora: Carolina Rodrigues, jornalista, 27 anos, caiçara. Adora reuniões familiares calorosas e seu maior sonho é ser mãe. Autora e criadora do blog Cantinho.

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Reflexão nº 44 – “Relatos Selvagens”: o que Jesus faria no meu lugar?

relatos_selvagens_filme_ricardo_darinFoto: Warner Bros. Pictures Brasil

Há alguns anos, conversando com uma amiga sobre como agir com sabedoria diante da loucura do mundo, ela me sugeriu uma simples pergunta: o que Jesus faria no seu lugar? Essa pergunta coloca as coisas em outro patamar. Nada melhor que tomar um sábio (Buda, Confúcio, Jesus, Sócrates) como referência quando o ódio e a raiva ameaçam nos cegar.

A princípio, o trailer de “Relatos Selvagens” (Relatos Salvajes, 2014, direção de Damián Szifron) me fez pensar em uma mistura de tragédia e comédia (a presença de Ricardo Darín também me despertou interesse). Mas ver o filme me fez pensar sobre essa pergunta. A narrativa nos conduz por uma série de histórias protagonizadas por personagens que, levados ao estresse (uns em maior e outros em menor proporção), perdem o controle, deixando aflorar o lado selvagem que habita cada um de nós.

Definitivamente, as coisas não terminam bem quando devolvemos intolerância com intolerância, corrupção com corrupção, injustiça com injustiça, traição com traição e violência com violência. A impressão que tenho é que nós mesmos somos os maiores prejudicados quando adotamos a Lei de Talião: “olho por olho, dente por dente”.

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Reflexão nº 43 – Inverno: morte da natureza e aceitação

folhas_inverno_neveFoto: morguefile.com

“O inverno é a morte da natureza
Agora tudo dorme e repousa,
ainda que a vida continue latente
na profundidade das raízes.
É o momento do descanso,
porém não de um descanso definitivo.
Uma nova primavera chegará após o inverno,
e o que dormia abrirá seus olhos outra vez para a vida”

Delia Guzman

Dois leashes arrebentam na água em dois dias seguidos e o computador começa a dar sinais de que vai parar a qualquer momento… Parece coincidência demais. No mínimo, curioso. Mas entender um pouco mais sobre o que representa o inverno para a natureza clareou as coisas. É interessante como a boa informação (a verdade) ilumina, traz luz.

“O inverno é a morte da natureza” expressa uma profundidade difícil de explicar com quaisquer outras palavras. Repleto de vida, o corpo nasce e, quando o ciclo se completa, o corpo passa a ser uma casa inabitada. O corpo dá lugar a uma nova morada para a alma e para o espírito.

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Reflexão n° 42 – “Novembro de 63” e os perigos da viagem no tempo

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O livro “Novembro de 63”, de Sthepen King, me fez pensar sobre a viagem no tempo. Em particular, os “perigos” dela. Na narrativa, o professor de inglês Jake Epping volta no tempo para tentar evitar a morte do presidente norte-americano John Kennedy. Na trama, a viagem no tempo sempre leva o professor ao ano de 1958, o que lhe dá a chance de “corrigir” outras coisas antes do evento que o levou, de fato, a voltar no tempo (Tenho curiosidade de ver como o livro ficaria retratado em um filme).

Mesmo se tratando de uma ficção, é interessante observar os desdobramentos que uma mudança no passado provoca no tempo presente. O tal efeito borboleta. Até mesmo um ato que pretende corrigir uma injustiça, um crime ou um erro qualquer. As consequências fogem do controle de Jake Epping.

A impressão que tenho é que as consequências também fugiriam do controle de qualquer protagonista do mundo real caso pudéssemos voltar ao passado. Não acredito que nos daríamos bem brincando de viajantes do tempo. Os resultados poderiam ser catastróficos.

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