Reflexão nº 45 – Sobre a fé (em nós mesmos)

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Foto: www.morguefile.com

Por Carolina Rodrigues*

Outra dia assisti a um filme, em que um menininho contava uma piada:

Um homem estava se afogando. Passa um barco e os marinheiros lhe jogam uma boia. “Não, obrigado, Deus vai me salvar!”. O barco vai embora. Dali a pouco, surge outro barco e seus ocupantes tentam novamente ajudá-lo, em vão: “Deus vai me salvar!”. E o segundo barco também segue seu rumo. Não muito depois, o homem enfim morre afogado. Chegando ao céu, ao encontrar-se com Deus, lhe pergunta: “Deus, por que você não me salvou?”. Ele responde: “eu te mandei dois barcos, seu idiota!”.

Achei a historinha engraçada e espirituosa. Passou.

Então, algumas semanas depois, alguns acontecimentos fizeram com que ela voltasse à minha memória.

Por que o ser humano adora depositar o destino de sua vida nas mãos de uma suposta divindade?

Muitos estudos revelam que quem tem fé vive mais. E acho ótimo uma pessoa confiar numa energia superior. De certa forma isso é tranquilizador.

Mas, pra mim, o problema está em quando você joga toda a responsabilidade da sua vida nessa força externa.

Exemplo: a pessoa está desempregada, louca para arrumar um emprego. Decide acender uma vela de 7 dias para algum santo milagroso. E passa 80% do tempo livre no sofá, assistindo à TV e esperando o milagre bater em sua porta.

O ser humano faz isso demasiadamente.

É fácil pedir. Difícil é correr atrás.

Então, se você quer alguma coisa, qualquer coisa, faça por onde. Acenda sua vela e vá à luta.

Sobre a autora: Carolina Rodrigues, jornalista, 27 anos, caiçara. Adora reuniões familiares calorosas e seu maior sonho é ser mãe. Autora e criadora do blog Cantinho.

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Reflexão nº 44 – “Relatos Selvagens”: o que Jesus faria no meu lugar?

relatos_selvagens_filme_ricardo_darinFoto: Warner Bros. Pictures Brasil

Há alguns anos, conversando com uma amiga sobre como agir com sabedoria diante da loucura do mundo, ela me sugeriu uma simples pergunta: o que Jesus faria no seu lugar? Essa pergunta coloca as coisas em outro patamar. Nada melhor que tomar um sábio (Buda, Confúcio, Jesus, Sócrates) como referência quando o ódio e a raiva ameaçam nos cegar.

A princípio, o trailer de “Relatos Selvagens” (Relatos Salvajes, 2014, direção de Damián Szifron) me fez pensar em uma mistura de tragédia e comédia (a presença de Ricardo Darín também me despertou interesse). Mas ver o filme me fez pensar sobre essa pergunta. A narrativa nos conduz por uma série de histórias protagonizadas por personagens que, levados ao estresse (uns em maior e outros em menor proporção), perdem o controle, deixando aflorar o lado selvagem que habita cada um de nós.

Definitivamente, as coisas não terminam bem quando devolvemos intolerância com intolerância, corrupção com corrupção, injustiça com injustiça, traição com traição e violência com violência. A impressão que tenho é que nós mesmos somos os maiores prejudicados quando adotamos a Lei de Talião: “olho por olho, dente por dente”.

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Reflexão nº 43 – Inverno: morte da natureza e aceitação

folhas_inverno_neveFoto: morguefile.com

“O inverno é a morte da natureza
Agora tudo dorme e repousa,
ainda que a vida continue latente
na profundidade das raízes.
É o momento do descanso,
porém não de um descanso definitivo.
Uma nova primavera chegará após o inverno,
e o que dormia abrirá seus olhos outra vez para a vida”

Delia Guzman

Dois leashes arrebentam na água em dois dias seguidos e o computador começa a dar sinais de que vai parar a qualquer momento… Parece coincidência demais. No mínimo, curioso. Mas entender um pouco mais sobre o que representa o inverno para a natureza clareou as coisas. É interessante como a boa informação (a verdade) ilumina, traz luz.

“O inverno é a morte da natureza” expressa uma profundidade difícil de explicar com quaisquer outras palavras. Repleto de vida, o corpo nasce e, quando o ciclo se completa, o corpo passa a ser uma casa inabitada. O corpo dá lugar a uma nova morada para a alma e para o espírito.

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Reflexão n° 42 – “Novembro de 63” e os perigos da viagem no tempo

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O livro “Novembro de 63”, de Sthepen King, me fez pensar sobre a viagem no tempo. Em particular, os “perigos” dela. Na narrativa, o professor de inglês Jake Epping volta no tempo para tentar evitar a morte do presidente norte-americano John Kennedy. Na trama, a viagem no tempo sempre leva o professor ao ano de 1958, o que lhe dá a chance de “corrigir” outras coisas antes do evento que o levou, de fato, a voltar no tempo (Tenho curiosidade de ver como o livro ficaria retratado em um filme).

Mesmo se tratando de uma ficção, é interessante observar os desdobramentos que uma mudança no passado provoca no tempo presente. O tal efeito borboleta. Até mesmo um ato que pretende corrigir uma injustiça, um crime ou um erro qualquer. As consequências fogem do controle de Jake Epping.

A impressão que tenho é que as consequências também fugiriam do controle de qualquer protagonista do mundo real caso pudéssemos voltar ao passado. Não acredito que nos daríamos bem brincando de viajantes do tempo. Os resultados poderiam ser catastróficos.

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Reflexão n° 41 – Máquina de lavar alma

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Foto: www.morguefile.com

“Máquina de lavar alma”. Li essa frase em uma revista de surfe há alguns anos. Ela era a legenda de uma foto: um surfista dentro de um tubo. A foto e a legenda resumem bem a sensação de um banho de mar.

A sensação que tenho é que o mar proporciona um novo nascimento cada vez que entramos e saímos dele. Se a gente se permite, um mergulho no mar renova as energias, acalma, traz equilíbrio. É como se a água salgada me colocasse em conexão comigo e, logo, com Deus.

Dentro da água, todos as coisas ganham devida proporção. Monstros gigantes ficam tão pequenos que quase deixam de existir. Vitórias que, a princípio parecem pequenas, de repente nos invadem de felicidade, uma energia que preenche cada espaço da nossa existência.

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Reflexão nº 40 – “Interestelar”: quem pode nos proteger de nós mesmos?

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“Posso te proteger de tudo, menos de você mesmo”

Um homem se vê no passado. Tenta, desesperadamente, convencer a si próprio a escolher um outro caminho. Tomar uma decisão diferente daquela que o havia colocado naquela situação no tempo presente. Nessa tentativa, pede a ajuda da filha. Mas, no passado, nem mesmo ela foi capaz de demovê-lo daquela escolha. Ele estava tão cego e obcecado que ninguém seria capaz de impedí-lo, nem ele próprio, ainda que em outro tempo e espaço.

De fato, ninguém pode nos proteger de nós mesmos. A primeira vez que pensei sobre isso foi por conta da minha mãe. “Posso te proteger de tudo, menos de você mesmo”. Aquela frase doeu. Doeu pensar sobre nossa impotência para proteger o outro, aquele que amamos, dele mesmo. Além disso, quando estamos cegos e obcecados, nossa consciência também não é capaz de nos salvar de nós mesmos.

O momento que descrevi no início desse texto é uma das cenas emblemáticas do incrível “Interestelar” (“Interstellar”, 2014, direção de Christopher Nolan). Estrelado por nomes como Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Jessica Chastain e Matt Damon, o filme é muito mais que uma obra de ficção científica. É repleto de momentos de relexão sobre a vida e nossa existência, tudo permeado por belíssimos efeitos especiais.

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Reflexão n° 39 – “À procura da felicidade”

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“Se tiver um sonho, tem de protegê-lo (…). Se quiser algo, vá buscar”, Chris Gardner, “À procura da felicidade”

Persistir, persistir, persistir e, independente dos obstáculos, continuar tentando até alcançar seu sonho. Essa é a mensagem principal de “À procura da felicidade” (The Pursuit of Happyness, 2006, direção de Gabriele Muccino), um exercício de fé e esperança.

“Graças” a um problema na bateria do meu notebook, recentemente, tive a chance de assistir ao filme pela segunda vez. Isso aconteceu enquanto usava o note de uma amiga para uma sobrecarga na minha bateria (quase uma barriga de aluguel entre computadores). Como não acredito em coincidências e nem no acaso, creio que a essência da mensagem do filme tivesse algo a me dizer.

Estrelado por Will Smith e Jaden Smith, seu filho na vida real, o filme narra uma trajetória de superação inspirada na vida do empresário norte-americano Chris Gardner. Um pai solteiro que luta para sobreviver em meio a adversidades financeiras que chegam a deixar ele e o filho desabrigados.

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Reflexão nº 37 – Tudo pode, nada pode: uma questão de ponto de vista

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Foto: www.morguefile.com

Tudo pode, nada pode.

É apenas uma questão de ponto de vista.

Não é porque preciso, mas porque tenho direito.

Não é pelo desejo, mas pela vontade.

Não é pelo prazer, mas porque me faz feliz.

Não é por obrigação, mas porque me faz bem.

Não é por imposição, mas porque me comprometi comigo.

Nem tanto pelo corpo, mas porque alimenta a alma e o espírito.

A verdadeira liberdade é a tomada de consciência.

Mentir é, antes de tudo, enganar a si mesmo.

Eu poderia estar matando, eu poderia estar roubando, mas preferi escrever mesmo.

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Reflexão nº 36 – Chimamanda Adichie: “o perigo de uma única história”

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Crédito: TED Talks

Uma única história cria esteriótipos. E o problema dos esteriótipos não é que eles não são verdadeiros, mas que eles são incompletos. Eles fazem uma história se tornar a única história, Chimamanda Adichie.

Mulher, negra e nigeriana. Até pouco tempo, talvez, ler essas palavras me remetesse à imagem da personagem do livro “Pequena Abelha”: uma imigrante ilegal em solo europeu. Uma menina mulher fugindo dos horrores que havia passado em sua terra natal.

Mas não. Essa breve descrição não é prelúdio de uma história sobre alguma refugiada ou sobre mazelas no continente africano. Essas três palavras até poderiam referenciar uma história repleta de dor, mas esse não é o caso.

Conheci a escritora nigeriana Chimamanda Adichie pela leitura de um post do blog Estante na Lua (uma resenha do livro “Americanah”, escrito pela autora). Inspirado pelo post, assisti à “TED Talk” de Chimamanda. Traduzido para o português, o título do vídeo é “O perigo de uma única história”.

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Reflexão n° 35 – “A Vida Secreta de Walter Mitty”: pare de sonhar, comece a viver

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Sugestão: aperte o player acima antes de seguir a leitura

Durante parte da infância, o desenho “Fantástico mundo de Bobby” e o seriado “Mundo da Lua”, da TV Cultura, foram alguns dos meus programas favoritos. Quando criança, muitas vezes, me sentia como Bobby ou como Lucas Silva & Silva: “Planeta Terra chamando! Planeta Terra chamando!”. Deixando minha imaginação me levar aonde ela quisesse. No meu mundo de sonhos, podia ser e fazer o que quisesse. Não havia limites.

Fui crescendo e descobri que, para que sonhos se tornem realidade, é preciso ação. Não há outro caminho. Do contrário, as coisas vão continuar acontecendo apenas no plano da fantasia. O que, no fundo, traz mais frustração que satisfação. Essa é a mensagem principal de “A Vida Secreta de Walter Mitty” (“The Secret Life of Walter Mitty”, 2013): pare de sonhar, comece a viver!

Dirigido e estrelado por Ben Stiller, o filme nos conduz por uma narrativa inspiradora ao som de Queen (“Bohemian Rhapsody”), David Bowie (“Space Oddity”) e Of Monsters and Men (“Dirty Paws”). Só pela trilha sonora já valeria, mas o filme é muito bom! Misturando aventura e drama com leveza e bom humor.

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