Reflexão nº 61 – GABO: a criação de Gabriel García Márquez

“Nós, os inventores de fábulas que em tudo acreditamos, nos sentimos com o direito de acreditar que ainda não é tarde para nos lançarmos na criação da utopia contrária. Uma nova e arrasadora utopia da vida onde ninguém possa decidir pelos outros até mesmo a forma de morrer, onde de verdade seja certo o amor e a felicidade seja possível. E onde as estirpes condenadas a cem anos de solidão tenham, enfim e para sempre, uma segunda oportunidade sobre a terra”, Gabriel García Márquez (trecho do discurso do Prêmio Nobel)

O telefone toca e Mercedes reitera que não seriam apenas três meses de aluguel atrasado, ainda restariam mais seis até que pudessem pagar a dívida. Em meio à ligação, coloca a mão no bocal e se volta para Gabriel García Márquez: “Eu dei minha palavra”.

É mágica a história por trás de “Cem anos de solidão”. Tão mágica quanto o próprio livro e a biografia de seu autor.

Eu já havia lido sobre essa jornada de obstinação e coragem na introdução do próprio livro, nas palavras do escritor e jornalista brasileiro Eric Nepomuceno, e pude revivê-la assistindo ao documentário “Gabo: a criação de Gabriel Garcia Marquez”.

Repetidas vezes, entrei na Netflix na esperança de encontrar o documentário.

A sugestão do nome em inglês enquanto digitava na busca me dava a esperança de que ele estava disponível nos EUA e, quem sabe, em breve fosse disponibilizado no Brasil.

O dia tão esperado finalmente chegou. E a admiração por Gabo só aumentou ainda mais.

Realizei que injusto teria sido se o homem que “não sabia fazer nada além de escrever” não tivesse seguido seu chamado, contando as histórias que caminhavam com ele por mais de 20 anos até que ganhassem vida pela sua escrita mágica.

Sigo encantado e inspirado por sua história de vida e, sobretudo, pela relação que estabeleceu com a arte da escrita.

Sentimento semelhante ao que nutri ao longo da leitura de “Cem Anos de Solidão” e também de “Amor nos tempos do cólera”. Era como se Gabo fosse meu avô e estivesse ali, sentado diante de mim, compartilhando as próprias memórias.

Impressiona essa capacidade da arte de nos colocar em comunhão com o outro, com nós mesmos e com o que há de sagrado na vida.

De alguma maneira, sinto como se tivesse convivido com Gabo, estabelecido um laço fraterno com ele. Quem sabe sejamos amigos de outras jornadas pela Terra.

Termino de assistir ao documentário com a certeza de que é verdadeiramente mágico o que somos capazes de fazer quando seguimos nosso chamado para a vida, seja ele qual for.

O viver encarado como um belo exercício intuitivo em que colocamos diariamente nossa fé em ação.

Sobre o autor
Rafael Miramoto, 34 anos. Jornalista, casado com a Thaís e apaixonado por literatura. Adora estudar, refletir e compartilhar. Tem dois contos – “Um Grilo pelo Azulão” e “Misericórdia” – publicados na plataforma Kindle, da Amazon.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s