Reflexão nº 59 – Maus pensamentos, um alien difícil de matar

maus_pensamentos

Crédito: www.morguefile.com

Eu não sei de onde ele veio, nem como apareceu. Aquela cena parecia um misto de realidade e fantasia, um desses universos paralelos para onde somos levados enquanto sonhamos.

Por mais que eu tente, não consigo me lembrar plenamente de sua forma primeira. Algo parecido com uma minhoca, mas de cor preta. Parecia um ser alienígena.

Eu sabia que aquilo não era bom, que precisava matá-lo. Talvez fossem minhas memórias de tantos filmes de ficção científica que me deixaram alerta. Me ajudaram a fazer uma leitura rápida da situação.

Sem pensar muito, pisei naquilo com meu tênis, mas, para meu desespero, ele ou ela não morreu. Aquela coisa se misturou ao meu calçado enquanto eu pisava nela. Penetrou meu cadarço, começou a se mover por dentro dele. Era simplesmente assustador.

Arranquei o tênis o mais rápido que pude, com muito medo que aquela coisa pudesse invadir meu corpo também. Se misturasse às minhas células, caísse em minha corrente sanguínea.

De alguma forma, eu sabia que a única maneira de matar aquela coisa seria atear fogo nela. E, pela rapidez com a qual ela se desenvolvia, passando por dentro do cadarço, não podia perder nem mais um segundo. Logo, ela estaria de um tamanho cada vez mais difícil de combater. Acabaria me matando.

Avistei um fogão. Era isso. Minha namorada acendeu uma de suas bocas.

Não sei como, mas aquele ser invadiu minha mente. Ao invés de colocarmos o tênis na boca do fogão, entreguei meu celular a ela. O aparelho já estava vermelho alaranjado, em brasa, quando caí em mim. “O que estamos fazendo?!”.

Quando olhei para o tênis, um ser parecido com um besouro, só que grande, já ocupava a parte de cima do calçado. Era tarde demais. Agora, seria ainda mais difícil colocar fogo nele, cada vez maior e mais forte.

Eu não sabia como levaria fogo até ele, já que não podia mais tocar no meu tênis. Àquela altura, o calçado já estava completamente contaminado. Tocar nele significaria me contaminar também.

Foi nesse exato momento que acordei daquele pesadelo horrível. Abri os olhos assustado e pensei que é justamente isso que acontece quando deixamos maus pensamentos se apossarem de nossa mente. Eles se tornam um alien difícil de matar.

Eu preferia ter sonhado com o Pequeno Príncipe me falando sobre baobás, mas minha mente preferiu um conto de terror e ficção científica com cara de Arquivo-X. Espero, ao menos, ter aprendido a lição.

Sobre o autor: Rafael Miamoto, 31 anos. Alguém que gosta de estudar, refletir e compartilhar.

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