Reflexão nº 58 – O Sol é para todos

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Crédito: www.morguefile.com

 Atticus, ele era muito bom…

– A maioria das pessoas é, Scout, quando enfim as conhecemos.

O Sol é para todos, Harper Lee

Levei quase 31 anos para descobrir a existência de O Sol é para todos (To Kill a Mockingbird). Cheguei ao livro por acaso (apesar de não acreditar no acaso). Navegando pela internet, me deparei com uma matéria sobre a autora norte-americana Harper Lee. Somente agora, depois de 45 anos da publicação de O Sol é para todos (1960), ela lançava seu segundo livro: Vá, coloque um vigia.

Naquele momento, começou meu namoro com o Sol é para todos, um livro de capa laranja que passei observar com carinho todas as vezes que entrava em uma livraria. O que retardou minha compra foi a leitura de Americanah, da nigeriana Chimamanda Adichie (outro romance com uma bela crítica social).

Se você é viciado em – comprar – livros, já deve ter passado por isso. A promessa de não comprar um novo livro até que o último esteja terminado.

Quando então comecei a leitura de O Sol é para todos, me senti feliz por tê-lo encontrado. Comecei a pensar que, de fato, para alguém que tinha escrito um livro como aquele, conquistando um prêmio Pulitzer, não era necessário publicar outro.

O Sol é para todos é uma leitura inspiradora sobre justiça, bondade e verdade. Sobre o quanto devemos lutar por ideais e valores ainda que o mundo esteja esvaziado deles. Um advogado (Atticus Finch) que luta para inocentar um homem negro (Tom Robinson) acusado injustamente de estuprar uma mulher branca. Scout, filha de Atticus, já adulta, nos conduz por essa história que viveu na infância.

A leitura me ajudou a entender por que a vitória de Obama é narrada com tanta emoção por Chimamanda em Americanah. Um sonho que se tornou realidade.

A beleza da narrativa de Harper Lee é que ela consegue ser extremamente profunda na reflexão que propõe e, ao mesmo tempo, preservar a visão pura e simples da criança que viveu aquela experência. O livro promove um despertar sem ódio. Realiza uma crítica social sem extremismo ou radicalismo de trincheira.

O Sol é para todos aponta como a maldade e o preconceito são frutos da ignorância do homem. Ao enxergar isso, tiramos o ódio do olhar que lançamos a seus agentes. Já não é mais vingança que queremos, mas levar luz onde há escuridão. Educar para transformar. Ainda que alguns homens dificilmente conseguirão romper com a cegueira da própria ignorância, a obra alimenta nosso idealismo e esperança.

O livro, certamente, nos ajuda a construir um andar elevado, mais nobre, dentro de nós. Ele nos inspira a viver por ideais, por causas profundas. E a respeitar nossas diferenças, amando o próximo como a nós mesmos.

Obs.: o filme inspirado no livro de Harper Lee, ganhador do Oscar de melhor roteiro adaptado em 1962, está disponível na Netflix. Ele não transmite a mesma inspiração do livro, mas vale assistir depois da leitura.

Sobre o autor: Rafael Miramoto, 31 anos. Alguém que gosta de estudar, refletir e compartilhar. Tem dois contos – “Um Grilo pelo Azulão” e “Misericórdia” – publicados na plataforma Kindle, da Amazon.

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