Reflexão nº 50 – “O amor é cego”: só que não

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“O amor é cego” é uma daquelas expressões que, apesar de popular, não é verdadeira. Cegueira não tem nada a ver com amor. Cegueira tem a ver com paixão ou qualquer tipo de relação de dependência. Em ambos os casos, o que enxergamos é uma visão distorcida das coisas, uma idolatria irreal.

O amor não carrega essa distorção. O amor nos permite justamente enxergar o outro e a nós mesmos de maneira verdadeira e sincera (o que inclui defeitos e qualidades). Isso é o que há de mais belo no amor, essa transparência que amplia nossa consciência, nos eleva. E, como minha namorada costuma dizer, acima de tudo, estabelece uma relação de respeito.

Há alguns dias, vi um comercial da comédia “O amor é cego” (Shallow Hal, 2001, direção de Bobby Farrelly e Peter Farrelly). Ver algumas cenas do filme (estrelado por Jack Black e Gwyneth Paltrow) me fez pensar sobre isso. Eu era um adolescente quando assisti a essa comédia. Confesso que não me lembro se, naquela época, absorvi a mensagem mais importante do filme.

Apesar do nome adotado no português usar uma  expressão que não considero verdadeira, lembrar do filme me fez que pensar que ela representa uma ironia. O protagonista, Hal (Jack Black), é um cara que busca mulheres que se enquadrem nos padrões de “beleza” do mundo. Mas ele passa por uma espécie de hipnoze que o faz enxergar todas as mulheres pelo que elas, de fato, são.

Isso faz com que, ao longo da narrativa, esteriótipos de “beleza” de nosso tempo sejam quebrados. E, pelo prisma de Hal, o filme transmite a bela mensagem de que devemos enxergar o ser humano pela sua essência e valores. A “beleza exterior”, ou melhor, o que o mundo entende como belo, nem sempre é belo aos olhos da alma.

Durante muito tempo, pensei que paixão e amor fossem palavras sinônimas. É claro que a nomenclatura ou o termo que usamos para definir algo vale menos do que o que sentimos de fato. Se chamamos amor de paixão ou vice-versa, o que realmente importa é o que sentimos por dentro. E o quanto isso nos faz bem ou mal.

Mas, como somos seres que têm por natureza se comunicar, dar nome certo aos bois faz toda diferença. Principalmente quando queremos esclarecer as coisas.

Há algum tempo, ouvi uma analogia que considerei perfeita. “A paixão é como um mar em ressaca. O amor é um mar calmo e sereno, em paz”. Eu só acrescentaria que o amor te faz ainda mais feliz do que você já era.

No fim das contas, “O amor é cego” vale a pipoca, o guaraná e uma bela lição sobre como o amor (quando verdadeiro) não tem nada de cego.

Sobre o autor: Rafael Miramoto, 30 anos. Alguém que gosta de estudar, refletir e compartilhar. Tem dois contos – “Um Grilo pelo Azulão” e “Misericórdia” – publicados na plataforma Kindle, da Amazon.

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