Reflexão nº 47 – Padrinho: um chamado para (toda) a vida

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Existem famílias que escolhemos e há aquelas que nos escolhem. Nesse caso, aconteceu as duas coisas. Primeiro, eles me escolheram. Depois, eu também os escolhi quando decidi dizer “sim”.

“Rafa, qual você acha que deve ser o papel de um padrinho?”. Por uma fração de segundos, quando ouvi essa pergunta, pensei que ela podia representar algo maior. Se fosse isso, ela podia ser o último “teste” da minha avaliação para um presente que, até aquele momento, eu nem sonhava que pudesse receber.

Tentando acertar a resposta, como um aluno diante de uma chamada oral, disse algo que aprendi com meus pais: “Fazer as vezes dos pais quando eles não estão presentes”.

Minha intuição estava certa e creio que minha resposta também deve ter ajudado a confirmá-la. Aquela pergunta precedeu um dos convites mais belos que alguém pode ter o privilégio de receber. Um chamado para (toda) a vida.

Mas, por mais que eu soubesse que resposta dar àquela pergunta, na prática, eu não sabia como seriam as coisas. Acho que foi isso que me assustou quando a ficha caiu. Quando realizei o fato, o tamanho de sua representatividade, confesso que senti um frio na barriga pela responsabilidade que aquele “sim” carregava. Se não é possível dizer que alguém pode ser ex-pai ou ex-mãe, também não se pode ser ex-padrinho. O Gabriel continuará sendo meu afilhado sempre. Mesmo depois dos primeiros passos, da primeira namorada, da realização dos primeiros sonhos e da construção da própria vida.

Durante muito tempo, eu pensei que nada seria suficiente para retribuir o presente que o Fábio e a Gabriela decidiram me confiar. Eu só pensava e dizia que iria amar o Gabriel o máximo que eu pudesse. De fato, tenho aprendido que não há retribuição melhor que essa para um pai ou uma mãe. Os pais querem ver os filhos felizes, simples assim. E o amor é o melhor caminho para isso.

O Gabriel nasceu e, desde então, eu e ele temos tido a chance de nos conhecer. É bem verdade que a presença da Thaís (minha namorada que ele tanto adora) ajudou as coisas. A felicidade do Gabriel ao ver a Thaís é incomparável, mas gosto de pensar que isso não diminui minha parceria com ele.

Além disso, o Fabio e a Gabriela têm feito um bom trabalho em fazer dele uma criança feliz. É muito fácil amar e conviver com ele. Quando vejo os três juntos, o sonho que eu já tinha de ser pai aumenta ainda mais. Espero que meu filho possa sorrir da mesma maneira. A felicidade que transborda do Gabriel me inspira a ser feliz também.

Parece que, de fato, uma criança é a representação da vida em sua forma mais pura. Fico impressionado toda vez que vejo o Gabriel, cada detalhe diferente que percebo no seu desenvolvimento ou que o Fabio e a Gabriela compartilham alguma novidade comigo. Me sinto feliz por saber que vou ter o privilégio de acompanhar de camarote cada momento importante da vida dele. Com o tempo, aquele frio na barriga foi embora.

Porém essa situação me colocou em outra saia justa. Agora, além do débito que eu já tinha com o Fábio e com a Gabriela, tenho uma “dívida” com o Gabriel também. Nos dois últimos anos, o convívio com o Gabriel não me deu apenas a chance de amá-lo, mas de aprender a amar os pais dele também. Graças a ele, por ter sido o pivô dessa convivência, isso aconteceu. A beleza do amor que há nessas relações (entre pessoas que escolhemos ter por perto) é que ele nasce naturalmente.

Felizmente, já aprendi que a lógica que vale para os pais, vale para os filhos também. Isso torna as coisas mais simples. Tudo que queremos como filhos é ver nossos pais felizes. E, como já mencionei, acredito que o amor é o melhor caminho para a felicidade. Me parece que, no fim das contas, a melhor forma que tenho para retribuir todos eles é continuar amando essa família (que acaba de ganhar mais um integrante, o João) da melhor maneira que eu puder.

Sobre o autor: Rafael Miramoto, 30 anos. Alguém que gosta de estudar, refletir e compartilhar.

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