Reflexão nº 46 – “Não olhe para trás”: por uma vida sem culpa

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O que você faria se descobrisse que, há 40 anos, John Lennon te enviou uma carta? E que as palavras dele poderiam ter feito toda diferença para os rumos da sua vida. Mas você só recebeu a carta agora. Depois que se perdeu, esqueceu o caminho de casa.

Dentro desse contexto, pensei que a culpa seria um sentimento marcante em “Não Olhe Para Trás” (Danny Collins, 2015, direção de Dan Fogelman). Mas me surpreendi (meus pais assistiram ao filme e recomendaram que eu fizesse o mesmo). A carta serve como um despertar de consciência para o personagem vivido por Al Pacino, que decide resgatar sua essência e corrigir os erros do passado. O mais impressionante é que ele não se martiriza pensando nas falhas que cometeu. Apenas foca em mudar e melhorar no presente.

É claro que as coisas não são tão simples assim. Uma das frases de Al Pacino no filme é “Ninguém compra o perdão”. Além disso, tomar consciência não significa não cometer mais erros na vida. Mas a ausência da culpa em todo esse processo me pareceu algo muito sábio na mensagem que o filme transmite.

Somos quem somos no tempo presente exatamente pelo pacote completo. Pelos erros e acertos que cometemos ao longo da vida. A caminhada que nos leva a ser o ser humano que somos é resultado desse processo. Logo, não há sentido em olhar para trás colocando nos ombros o peso da culpa.

Me parece, inclusive, que os erros nos dão os melhores aprendizados quando olhamos para a vida como discípulos em busca de sabedoria. Parece que são justamente as cicatrizes que nos preparam para desfrutar com plenitude os momentos felizes da vida. E com serenidade os que não são tão belos.

Uma amiga psicóloga me explicou recentemente que a culpa é a soma do medo e da raiva. O medo são dores do passado projetadas no futuro. A raiva são dores do passado projetadas no presente. “Ainda não enxerguei nenhum benefício no sentimento de culpa”.

Concordo com ela. Não me vejo tirando nenhum aprendizado de uma situação quando a culpa toma conta de mim. Só o sofrimento me habita quando isso acontece e ele não me leva a lugar algum. É claro que sentimos raiva e medo, mas a questão é que nenhum deles deve nos dominar. Não se trata de repressão, mas de dar vazão a eles de maneira passageira (o que não é nada fácil).

No filme, o personagem de Al Pacino lida com as falhas com muito bom humor. Me parece que levar a vida de uma maneira lúdica é um bom exercício para afastar a raiva e o medo de nós. Com eles longe, a culpa também se tornará um sentimento cada vez mais distante.

“Não Olhe Para Trás” vale a pipoca, o guaraná e uma bela reflexão sobre como aprender com a vida sem o fantasma da culpa.

Obs.: Mais um detalhe interessante do filme é que ele é inspirado em uma história real. John Lennon enviou uma carta para o músico inglês Steve Tilston, mas ele só recebeu a mensagem décadas depois.

Sobre o autor: Rafael Miramoto, 30 anos. Alguém que gosta de estudar, refletir e compartilhar.

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