Reflexão nº 44 – “Relatos Selvagens”: o que Jesus faria no meu lugar?

relatos_selvagens_filme_ricardo_darinFoto: Warner Bros. Pictures Brasil

Há alguns anos, conversando com uma amiga sobre como agir com sabedoria diante da loucura do mundo, ela me sugeriu uma simples pergunta: o que Jesus faria no seu lugar? Essa pergunta coloca as coisas em outro patamar. Nada melhor que tomar um sábio (Buda, Confúcio, Jesus, Sócrates) como referência quando o ódio e a raiva ameaçam nos cegar.

A princípio, o trailer de “Relatos Selvagens” (Relatos Salvajes, 2014, direção de Damián Szifron) me fez pensar em uma mistura de tragédia e comédia (a presença de Ricardo Darín também me despertou interesse). Mas ver o filme me fez pensar sobre essa pergunta. A narrativa nos conduz por uma série de histórias protagonizadas por personagens que, levados ao estresse (uns em maior e outros em menor proporção), perdem o controle, deixando aflorar o lado selvagem que habita cada um de nós.

Definitivamente, as coisas não terminam bem quando devolvemos intolerância com intolerância, corrupção com corrupção, injustiça com injustiça, traição com traição e violência com violência. A impressão que tenho é que nós mesmos somos os maiores prejudicados quando adotamos a Lei de Talião: “olho por olho, dente por dente”.

Esse agir nos corrompe e destrói. Está longe de nos fazer seres humanos melhores. Mesmo sabendo disso, se não respiramos e contamos até dez, a tendência é que nosso instinto nos leve por esse caminho irracional destrutivo. E quando nenhuma das partes interrompe essa cadeia de ódio, é difícil identificar certos e errados / mocinhos e vilões. Chega um ponto em que pouco importa quem começou a briga.

E mesmo quando estamos de fora da situação (meu caso quando assistia ao filme), se não nos policiamos, podemos acabar nos contaminando por essa lógica vingativa. Nos colocamos no lugar do outro e acabamos comemorando a vingança: “Ele / ela merecia mesmo provar do próprio veneno”. Me parece que esse sentimento também não nos faz melhores.

Não quero dizer com isso que devamos nos tornar passivos ou indiferentes aos problemas do mundo, mas, certamente, devemos refinar nossa postura. Só assim conseguiremos manter a sanidade em meio ao caos. Do contrário, podemos nos mostrar tão loucos quanto aqueles que julgamos loucos.

Se tomo uma fechada no trânsito, cabe apenas a mim decidir se vou perseguir o outro motorista ou reduzir a velocidade para me afastar da loucura dele. O mal que o outro me faz só me machuca na medida que eu permito.

Nem sempre é fácil lembrar da pergunta “O que Jesus faria no meu lugar?” quando estou tomado pelo estresse, mas a pausa para essa reflexão me ajuda a perceber se meus instintos estão falando mais alto que minha consciência elevada. É como um sinal amarelo acendendo, um alerta. Cabe apenas a mim decidir continuar acelerando ou frear o carro.

“Relatos Selvagens” vale a pipoca, o guaraná e uma boa reflexão sobre sanidade em meio ao caos.

Sobre o autor: Rafael Miramoto, 30 anos. Alguém que gosta de estudar, refletir e compartilhar.

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5 comentários sobre “Reflexão nº 44 – “Relatos Selvagens”: o que Jesus faria no meu lugar?

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