Reflexão nº 43 – Inverno: morte da natureza e aceitação

folhas_inverno_neveFoto: morguefile.com

“O inverno é a morte da natureza
Agora tudo dorme e repousa,
ainda que a vida continue latente
na profundidade das raízes.
É o momento do descanso,
porém não de um descanso definitivo.
Uma nova primavera chegará após o inverno,
e o que dormia abrirá seus olhos outra vez para a vida”

Delia Guzman

Dois leashes arrebentam na água em dois dias seguidos e o computador começa a dar sinais de que vai parar a qualquer momento… Parece coincidência demais. No mínimo, curioso. Mas entender um pouco mais sobre o que representa o inverno para a natureza clareou as coisas. É interessante como a boa informação (a verdade) ilumina, traz luz.

“O inverno é a morte da natureza” expressa uma profundidade difícil de explicar com quaisquer outras palavras. Repleto de vida, o corpo nasce e, quando o ciclo se completa, o corpo passa a ser uma casa inabitada. O corpo dá lugar a uma nova morada para a alma e para o espírito.

A leitura dos versos reforça meu entendimento de que a vida é cíclica. Enxergar isso na natureza me ajuda a enxergar em mim mesmo. E fica mais fácil lidar com a vida quando entendo minimamente como ela funciona.

Essa ciclicidade me faz pensar na vida como um processo de aceitação. Aceitação das mudanças que dependem das minhas únicas decisões, escolhas e ações. Aceitação de tudo aquilo que foge do meu controle, de todas as circunstâncias que não tenho como mudar.

Em menor ou maior proporção, a maioria de nós tem dificuldade de ser “contrariado”. É difícil aceitar as coisas como elas são e perceber que nem sempre a vida acontece da maneira que planejamos. Não temos controle de quase nada ao nosso redor (só sobre nós mesmos, ainda assim, com ressalvas).

Parece que o “lance” é ter discernimento para entender os fatos.

Fiquei aliviado pelo inverno ser “o momento do descanso, porém não de um descanso definitivo”. Isso significa que os leashes apenas arrebentaram. Não é a vida me dizendo para parar de surfar, mas, certamente, um sinal de que devo checar os equipamentos com regularidade. Da mesma forma, meu note se mostrar “cansado” também não é Deus me dizendo para parar de usar computadores. A tecnologia tem uma vida útil. Apenas isso (Ufa! Vida que segue…).

Eu usei os leashes e o computador durante anos. No caso dos lashes, fiz um revezamento com a intenção de que durassem mais tempo e, de fato, duraram o tempo que deviam durar. Prendendo meu pé esquerdo à prancha, eles me deram segurança para viver momentos divinos.

Não fui tão cuidadoso com o note, mas ele também resistiu bem. Ele foi dos primeiros suportes que no qual comecei a realizar o sonho de escrever. Muitas vezes, ele foi o primeiro a dar vida a palavras que não tinha coragem de compartilhar com mais ninguém. Talvez, esse seja um dos últimos textos que escrevo nele.

Um leash novo me espera para compartilhamos novas experiências na água e, em breve, o computador também terá seu merecido descanso.

Sobre o autor: Rafael Miramoto, 30 anos. Alguém que gosta de estudar, refletir e compartilhar.

Leia mais:

Reflexão nº 24 – Perdendo o medo de ser feliz

Reflexão nº 14 – Terapia de risco: um novo despertar

Reflexão nº 6 – A difícil tarefa de encerrar ciclos

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