Reflexão n° 42 – “Novembro de 63” e os perigos da viagem no tempo

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O livro “Novembro de 63”, de Sthepen King, me fez pensar sobre a viagem no tempo. Em particular, os “perigos” dela. Na narrativa, o professor de inglês Jake Epping volta no tempo para tentar evitar a morte do presidente norte-americano John Kennedy. Na trama, a viagem no tempo sempre leva o professor ao ano de 1958, o que lhe dá a chance de “corrigir” outras coisas antes do evento que o levou, de fato, a voltar no tempo (Tenho curiosidade de ver como o livro ficaria retratado em um filme).

Mesmo se tratando de uma ficção, é interessante observar os desdobramentos que uma mudança no passado provoca no tempo presente. O tal efeito borboleta. Até mesmo um ato que pretende corrigir uma injustiça, um crime ou um erro qualquer. As consequências fogem do controle de Jake Epping.

A impressão que tenho é que as consequências também fugiriam do controle de qualquer protagonista do mundo real caso pudéssemos voltar ao passado. Não acredito que nos daríamos bem brincando de viajantes do tempo. Os resultados poderiam ser catastróficos.

Na teoria, a viagem no tempo me fascina, mas creio que não estamos preparados para ela. Parece que assumir as rédeas de nosso destino no tempo presente é o mais complexo que podemos dar conta. Se tomar decisões acertadas no agora já não é tarefa simples, que dirá “brincar” com o passado. Viajar no tempo deve ser uma brincadeira reservada aos deuses.

No fim das contas, penso que devemos tratar o passado como obra morta. Acredito que, na verdade, a questão é aprender com as experiências que ficaram para trás e, dessa forma, evitar os mesmos erros. Isso me soa mais prudente que poder voltar no tempo (ainda que, diante de uma máquina do tempo, não sei se conseguiria ser tão ponderado. Talvez a curiosidade me levasse a experimentá-la).

Ouvi há algum tempo que honramos nossos pais quando melhoramos eles em nós. Quando damos um passo adiante na busca pelo ideal de sabedoria. Penso que, da mesma maneira, honrar e respeitar a história é fazer do tempo presente um lugar melhor que o passado. Um mundo mais fraterno, tolerante, consciente, com menos preconceito. Um lugar em que, cada vez mais, nos enxerguemos como irmãos e respeitemos nossas diferenças em paz.

Sobre o autor: Rafael Miramoto, 30 anos. Alguém que gosta de estudar, refletir e compartilhar.

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4 comentários sobre “Reflexão n° 42 – “Novembro de 63” e os perigos da viagem no tempo

  1. Adorei o texto. Infelizmente Rafael, o passado nem sempre nos serve de lição, e nos vemos, socialmente, continuamente repetindo os mesmos erros. Quiçá consigamos, na esfera pessoal, aprender com nossos próprios erros, termos humildade para corrigi-los, e seguir em frente individualmente mais dignos e conscientes, né.

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