Reflexão nº 40 – “Interestelar”: quem pode nos proteger de nós mesmos?

interestelar_Matthew_McConaughey

“Posso te proteger de tudo, menos de você mesmo”

Um homem se vê no passado. Tenta, desesperadamente, convencer a si próprio a escolher um outro caminho. Tomar uma decisão diferente daquela que o havia colocado naquela situação no tempo presente. Nessa tentativa, pede a ajuda da filha. Mas, no passado, nem mesmo ela foi capaz de demovê-lo daquela escolha. Ele estava tão cego e obcecado que ninguém seria capaz de impedí-lo, nem ele próprio, ainda que em outro tempo e espaço.

De fato, ninguém pode nos proteger de nós mesmos. A primeira vez que pensei sobre isso foi por conta da minha mãe. “Posso te proteger de tudo, menos de você mesmo”. Aquela frase doeu. Doeu pensar sobre nossa impotência para proteger o outro, aquele que amamos, dele mesmo. Além disso, quando estamos cegos e obcecados, nossa consciência também não é capaz de nos salvar de nós mesmos.

O momento que descrevi no início desse texto é uma das cenas emblemáticas do incrível “Interestelar” (“Interstellar”, 2014, direção de Christopher Nolan). Estrelado por nomes como Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Jessica Chastain e Matt Damon, o filme é muito mais que uma obra de ficção científica. É repleto de momentos de relexão sobre a vida e nossa existência, tudo permeado por belíssimos efeitos especiais.

Já vinha esboçando escrever algo sobre o filme, mas não conseguia avançar. Uma aula recente me deu o embasamento para completar meu raciocínio. Aprendi que, para a filosofia à maneira clássica, inteligência é a capacidade de agir com discernimento. Enxergar as coisas com clareza. Pensar de maneira objetiva. Preservar os valores profundos que residem na estrutura da vida humana. No fundo, a morada da inteligência é a intuição.

Não é possível agir com inteligência quando focamos, ainda que de maneira inconsciente, no nosso próprio umbigo. Na cena descrita, parece que, na verdade, mais do que salvar a humanidade, no momento daquela decisão, o personagem interpretado por Matthew McConaughey está “deslumbrado” e “embriagado” com a possibilidade de viajar no espaço, conhecer outros planetas. É interessante como podemos levantar belas bandeiras (como salvar a espécie humana), inclusive para nós mesmos, que camuflam nosso egoísmo.

Um olhar ingênuo para o mundo me fez pensar por que não aprendemos, desde cedo, a lidar com nossa intuição? Esse agir com discernimento, a verdadeira ação inteligente. Mas, logo após me fazer essa pergunta, pensei que esperar sanidade de um mundo louco é ser tão louco quanto ele.

Mas, quem sabe, essa questão seja mais simples de ser resolvida do que de fato parece. Se esses valores profundos estão no DNA de nossos almas, a resposta para esse agir inteligente está dentro de nós. E nem mesmo um mundo insano pode tirá-los de nós. De fato, ninguém pode nos proteger de nós mesmos. Por outro lado, quando “clicamos”, ninguém pode nos impedir de salvar a nós mesmos.

“Interestelar” vale a pipoca, o guaraná e uma bela reflexão sobre a vida e nossa existência.

Sobre o autor: Rafael Miramoto, 30 anos. Alguém que gosta de estudar, refletir e compartilhar.

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