Reflexão nº 38 – Fugindo de si mesma

corrida_campo_terra_sol_mulher_costas

Foto: morguefile.com

Durante um tempo, lutando consigo mesma para não “despertar”, não se permitia ficar sozinha. Precisava sempre de companhia mesmo para as coisas mais simples. Mas, antes de entender profundamente o que a afligia, não via isso como um problema. Achava normal. Considerava apenas um traço da sua personalidade.

Não tinha plena consciência disso, mas, no fundo, tinha medo das reflexões que pudessem lhe assombrar. Medo de se encarar de frente. Medo de se defrontar com verdades que não queria enxergar.

Correr era um dos seus hobbies favoritos. A princípio, uma corrida deve proporcionar justamente um encontro com a gente. Um momento de paz, meditação. Acontece que ela colocava um fone no ouvido e vibrava de acordo com a trilha sonora. Apenas isso. Correr era uma maneira de fugir de si mesma.

A música pode fazer nossa alma vibrar, mas não era esse o caso. Se não temos plena consciência de nós, a música também pode ser um instrumento de fuga. O inferno é mesmo repleto de boas intenções.

Aquela trilha, por vezes, lhe fazia sonhar sobre a vida que queria. Mas, ao mesmo tempo, a corrida era uma maneira de fugir da ação. Enquanto corria, fantasiava sobre muitas coisas, porém não colocava quase nada em prática.

Percebeu isso fazendo um simples exercício: olhar a própria vida como se estivesse de fora dela (como um terceiro que observa o outro). Começou a se perguntar do que tinha tanto medo. Por que o encontro consigo parecia ser tão assustador? Afinal, do que estava fugindo?

Tomou coragem e fez um teste. É bem verdade que a falta de bateria do player de músicas também contribuiu para isso. Coisas do destino (mesmo assim, não vamos menosprezar o feito de nossa heroína).

Aquela corrida foi uma das poucas brechas que sua consciência teve a sós com ela. Se viu no futuro. Estava cansada e infeliz. Havia se tornado uma pessoa amarga. Aquela viagem mental soava como um pesadelo, mas não tinha nada de fantasioso. Pelo contrário, era a mais pura representação da realidade. Assustou-se.

Naquele dia, a consciência começou a alertá-la a mudar, procurar o que realmente lhe trouxesse felicidade com plenitude. Do contrário, acordaria dali a alguns anos se perguntando o que havia feito com a própria vida. Afinal, durante quanto tempo conseguimos usar uma roupa apertada?

Compreendeu que o encontro consigo a colocava diante da realidade, o que era muito bom. Aquilo a fez perceber que, durante muito tempo, sem ter plena consciência disso, tentou, insistentemente, fugir de si mesma. Foi aí que entendeu o real significado do não querer ficar sozinha.

A partir da tomada de consciência, começou a tomar coragem para colocar seus sonhos em prática. Tirá-los do papel. Com o tempo, passou a preferir correr sem fones de ouvido. Apenas ela e Deus.

Rafael Miramoto, 30 anos. Alguém que gosta de estudar, refletir e compartilhar.

Leia mais

Reflexão nº 35 – “A Vida Secreta de Walter Mitty”: pare de sonhar, comece a viver

Reflexão nº 28 – As vozes

Reflexão nº 24 – Perdendo o medo de ser feliz

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s