Reflexão nº 36 – Chimamanda Adichie: “o perigo de uma única história”

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Crédito: TED Talks

Uma única história cria esteriótipos. E o problema dos esteriótipos não é que eles não são verdadeiros, mas que eles são incompletos. Eles fazem uma história se tornar a única história, Chimamanda Adichie.

Mulher, negra e nigeriana. Até pouco tempo, talvez, ler essas palavras me remetesse à imagem da personagem do livro “Pequena Abelha”: uma imigrante ilegal em solo europeu. Uma menina mulher fugindo dos horrores que havia passado em sua terra natal.

Mas não. Essa breve descrição não é prelúdio de uma história sobre alguma refugiada ou sobre mazelas no continente africano. Essas três palavras até poderiam referenciar uma história repleta de dor, mas esse não é o caso.

Conheci a escritora nigeriana Chimamanda Adichie pela leitura de um post do blog Estante na Lua (uma resenha do livro “Americanah”, escrito pela autora). Inspirado pelo post, assisti à “TED Talk” de Chimamanda. Traduzido para o português, o título do vídeo é “O perigo de uma única história”.

“É assim que se cria uma única história: mostre um povo como uma coisa, como somente uma coisa, repetidamente, e é o que ele se tornará (…) A consequência de uma única história é que ela rouba das pessoas sua dignidade. (…) Enfatiza o quanto somos diferentes, ao invés do quanto somos semelhantes”.

Pela minha formação jornalística, foi inevitável pensar nas aulas da faculdade, quando os professores nos alertavam sobre os cuidados durante a apuração de uma matéria. Toda história tem várias versões, tudo depende de como vemos as coisas, do nosso background cultural (expressão que aprendi no curso).

O que acreditamos, o time que torcemos, nossas preferências políticas, crenças. Toda essa trajetória que nos forma influencia nossa maneira de enxergar as coisas. Mesmo tendo passado 4 anos ouvindo e pensando sobre isso, parece que a se gente não toma cuidado acaba sendo levado por essa visão estereotipada. Se nos atemos apenas às informações que caem no nosso colo, podemos acabar sendo levados pela maré.

As palavras de Chimamanda soaram fortes para mim, me fizeram refletir sobre isso. Me senti envergonhado por não ter pensado que a imigrante refugiada do livro “Pequena Abelha” represente apenas um dos retratos da Nigéria, mas não o todo. O quanto posso ser preconceituoso se me fechar para uma única história sobre qualquer coisa. E o quanto essa visão estereotipada nos afasta.

“Quando rejeitamos uma única história, quando percebemos que nunca há apenas uma história sobre qualquer lugar, nós reconquistamos um tipo de paraíso”.

É exatamente isso. Quando nos abrimos para enxergar o todo das coisas, retiramos as amarras e as vendas do preconceito das mãos e dos olhos. Voltamos a nos reconhecer como irmãos, como semelhantes. Isso nos úne. Elevamos nossa consciência quando isso acontece. E, de fato, “reconquistamos um tipo de paraíso” na Terra.

Sobre o autor: Rafael Miramoto, 30 anos. Alguém que gosta de estudar, refletir e compartilhar.

Leia mais

Reflexão nº 22 – Amar o próximo como a nós mesmos

Reflexão nº 9 – Saindo da “caverna”: diálogo entre Corpo, Alma e Espírito

Reflexão nº 3 – A pior forma de preconceito

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