Reflexão n° 35 – “A Vida Secreta de Walter Mitty”: pare de sonhar, comece a viver

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Durante parte da infância, o desenho “Fantástico mundo de Bobby” e o seriado “Mundo da Lua”, da TV Cultura, foram alguns dos meus programas favoritos. Quando criança, muitas vezes, me sentia como Bobby ou como Lucas Silva & Silva: “Planeta Terra chamando! Planeta Terra chamando!”. Deixando minha imaginação me levar aonde ela quisesse. No meu mundo de sonhos, podia ser e fazer o que quisesse. Não havia limites.

Fui crescendo e descobri que, para que sonhos se tornem realidade, é preciso ação. Não há outro caminho. Do contrário, as coisas vão continuar acontecendo apenas no plano da fantasia. O que, no fundo, traz mais frustração que satisfação. Essa é a mensagem principal de “A Vida Secreta de Walter Mitty” (“The Secret Life of Walter Mitty”, 2013): pare de sonhar, comece a viver!

Dirigido e estrelado por Ben Stiller, o filme nos conduz por uma narrativa inspiradora ao som de Queen (“Bohemian Rhapsody”), David Bowie (“Space Oddity”) e Of Monsters and Men (“Dirty Paws”). Só pela trilha sonora já valeria, mas o filme é muito bom! Misturando aventura e drama com leveza e bom humor.

“A Vida Secreta de Walter Mitty” destaca a singularidade que há em cada um de nós. O quanto cada um e nós é especial mesmo que, aos olhos do mundo, pareçamos comuns, ordinários.

A princípio, Walter Mitty é um cara “comum”, que passa desapercebido em meio à multidão. Extremamente centrado no trabalho (departamento de arquivo e fotografia da revista “Life”), procura cumprir seu papel da melhor maneira possível. Sempre pensando no todo, no melhor para a revista.

Por outro lado, Walter é um homem tomado pelo medo de agir. Refém das próprias inseguranças e de seu próprio “mundo seguro”. Um cara que só se permite arriscar no mundo das suas próprias fantasias.

Encorajado por uma paixão e pelas circunstâncias da vida, Walter sai do mundo dos sonhos e começa a viver. Acaba descobrindo o quão incrível a vida pode ser quando nos permitimos vivê-la. O quanto experiências reais podem ser muito mais extraordiánias que as mais mirabolantes fantasias.

Ainda que a motivação dele para agir comece com o foco errado: impressionar o outro (a mulher pela qual ele se apaixonou), ao longo processo, acontece uma transformação. À medida que passa por uma série de experiências, começa a se reencontrar (resgatar a coragem da juventude), vai ficando inteiro.

Em determinado momento, ele se percebe merecedor de uma vida com menos sonhos e mais ações, experiências. Tudo isso não mais motivado em conquistar o outro, mas pelo que me parece ser amor próprio. Parece que o verdadeiro despertar se trata de reconhecer isso: “conhecer-se, vencer-se e conquistar-se” (Delia Guzmán). Logo, aos poucos, Walter Mitty se torna uma referência inspiradora para aqueles que o cercam.

Personagens assim, com defeitos e qualidades, conflitos, medos e inseguranças, são incríveis porque são reais. A gente se identifica, se enxerga neles. E, quando nos permitimos, podemos retirar um aprendizado para a própria vida.

O filme é baseado em um conto de 1939, do ex-humorista e ex-cartunista norte-americano James Thurber (o longa leva o mesmo nome do conto). Além de Ben Stiller, o elenco ainda conta com nomes como Sean Penn e Shirley MacLaine.

Vale a pipoca, o guaraná e uma bela reflexão sobre como colocar a fé na vida em ação (nos tornarmos protagonistas de nossas próprias vidas).

Sobre o autor: Rafael Miramoto, 30 anos. Alguém que gosta de estudar, refletir e compartilhar. Tem dois contos – “Um Grilo pelo Azulão” e “Misericórdia” – publicados na plataforma Kindle, da Amazon.

Leia mais:

Reflexão n° 32 – “Click” e o piloto automático

Reflexão n° 29 – “Questão de tempo” e o significado da vida

Reflexão n° 8 – “Homens, mulheres & filhos”: a comunicação nossa de cada dia

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