Reflexão nº 28 – As vozes

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No começo, as vozes pareciam sem sentido, como loucos conversando. Alguém perguntava as horas e a resposta que surgia era que dia é hoje.

“O que elas dizem deve ser fruto da minha imaginação. São meros devaneios mentais”.

Era o que ele pensava.

Demorou um tempo para entendê-las. Na verdade, ele é quem andava sem sentido, não elas. Perdido, sem saber para onde ir. E tudo que elas faziam era tentar lhe dar as coordenadas.

“Acorde! Acorde!”.

Mas ele não queria despertar. Era como um adolescente que pede mais cinco minutos de sono aos pais antes de acordar para a escola. Sempre pedia mais um tempo.

“Só mais cinco minutinhos, vai”.

Mesmo assim, as vozes nunca pararam. Durante todo o tempo que levou para entender o que de fato queriam com ele, elas nunca desistiram.

Às vezes, até se desesperavam. Gritavam e imploravam por atenção.

“Estamos aqui! Estamos aqui!”.

Essa postura fazia com que ele as achasse infantis. Para ele, parecia imaturo da parte delas agir daquela forma. Isso acabava fazendo com que desse a elas menos crédito ainda.

“Não posso levá-las a sério”.

Pois bem.

Até que um dia acordou sufocado. Faltava o ar. Não conseguia respirar.

Nesse momento, as vozes apareceram.

“Calma, calma… vai ficar tudo bem”.

Elas o conduziram por uma respiração lenta e profunda. Ajudaram-lhe a recobrar o fôlego.

“Obrigado”.

Foi que disse a elas quando se acalmou.

Aquele fato fez com que passasse a enxergá-las com outros olhos.

“Talvez, o que elas dizem não sejam vômitos mentais. Quem sabe, haja um sentido profundo por trás disso”.

Graças àquela crise, teve esse estalo sobre as vozes. O real sentido sobre o que elas diziam. A essência da mensagem. O propósito.

Mesmo assim, nem sempre era fácil ouvir o que elas tinham a dizer. Em um primeiro momento, a verdade era perturbadora demais. Abalava, chocava.

“Parem! Parem! Já chega”.

Ouvir o que elas falavam obrigava com que se mexesse. E ele não queria mudanças.

Mas, aos poucos, começou um movimento de tomada de consciência. Já não podia mais ficar parado diante de tudo que ouvia. Decidiu encarar os fatos.

“Preciso fazer alguma coisa”.

O resultado o surpreendeu.

Essa tomada de decisão fez com que a verdade acabasse se tornando libertadora. Começou a ser invadido por uma sensação de paz, plenitude. Começou a entender quem realmente era.

Desde então, as vozes se tornaram grandes companheiras, suas melhores amigas.

Sobre o autor: Rafael Miramoto, 30 anos. Alguém que gosta de estudar, refletir e compartilhar.

Crédito da foto: www.morguefile.com

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