Reflexão nº 21 – “Se eu estiver atrapalhando, você fala, tá?”

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Fotos: Ricardo Saibun / Divulgação Santos FC

Procura para teu descanso a consciência do teu Eu Real, a Verdade eterna. Deixa longe de ti os cuidados mundanos e a avidez de possessões materiais. Concentra-te em ti mesmo, e não te entregues às ilusões do mundo finito, “Bhagavad-Gîtâ: a mensagem do mestre”

Uma das partes boas de se trabalhar no Santos FC é que, a qualquer momento, você pode cruzar com um ídolo do clube pelos corredores da Vila. Durante parte do período que lá estive, duas ou três vezes por semana, o Pepe nos dava esse prazer. Ele entrava na sala do departamento de Comunicação, cumprimentava a todos com sua “fofura” e sentava para contar histórias.

Sempre servíamos para ele um chá de máquina que o Canhão da Vila adora. A partir dali, com toda sua sabedoria, compartilhava conosco suas memórias, lembranças de uma trajetória vivida com plenitude dentro e fora dos campos.

Conversar com o Pepe sobre futebol é como fazer uma viagem no tempo para entrevistar in loco um protagonista da história. Tudo muito vivo na mente dele. Somado a isso, o Pepe é um cara muito equilibrado e sensato em suas análises. Logo, suas histórias carregam esses traços, além de uma pitada de bom humor.

Não há como não gostar do dele. Sempre educado, sorridente e carinhoso, um ser humano diferenciado. Além do mais, o Pepe é um cara com feitos incríveis no clube. Protagonista do ataque dos sonhos, segundo maior artilheiro do clube, bicampeão da Libertadores e Mundial, entre tantos outros títulos e feitos.

Assim, como era o Pepe que estava ali, eu não me sentia culpado por parar o que estava fazendo para conversar com ele por alguns momentos. Além disso, respeitar e reconhecer a importância de ídolos como o Pepe é preservar e valorizar a história do clube e do futebol.

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O Pepe preserva a essência do Santos FC, o DNA santista, e do futebol brasileiro. Logo, o convívio com ele enriquece, ensina, faz da gente um torcedor melhor. Ele me dava a real dimensão do tamanho do clube e do futebol brasileiro e, assim, da importância do nosso trabalho.

Com naturalidade, arrancava risadas e conquistava, ainda mais, nossa admiração. A presença dele nos trazia alegria, quebrava o gelo. É claro que ele nunca estava atrapalhando.

Mesmo sendo quem é, com toda humildade e ar de vô, por vezes, em meio a uma história, o Pepe interrompia o José Macia, ou vice-versa, e perguntava se não estava atrapalhando.

“Não, ‘seo’ Pepe, o senhor nunca atrapalha”.

Sempre que ele fazia essa pergunta, era assim que respondíamos. E, com olhares atentos, voltávamos a ouvir o que ele tinha a dizer.

Com o Pepe, aprendi muito sobre humildade, a manter os pés no chão independente do tamanho dos meus feitos e das minhas conquistas. E como, no fim das contas, o que realmente importa é o tipo de ser humano que decidimos ser.

Obs.: em breve, Pepe vai ganhar uma homenagem: a biografia “Pepe, O Canhão da Vila”, escrita por sua filha Gisa Macia. Para saber mais sobre o livro, clique aqui e veja a campanha de pré-lançamento!

Sobre o autor: Rafael Miramoto, 30 anos. Alguém que gosta de estudar, refletir e compartilhar.

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