Reflexão nº 18 – Vida, amor e diversão

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Durante um período da vida, eu sonhava em ter um trabalho que girasse em torno do surf e da música, duas atividades que fazem minha alma vibrar. Por isso, eu “invejava” a vida de caras como Ben Harper, Donavon Frankenreiter, G-Love e Jack Johnson. Pensava no quanto eles deviam ser felizes por poderem trabalhar nesse universo.

Nessa fase, meus fins de noite costumavam ser em frente ao computador, vendo clipes e tentando tocar as músicas deles no violão. Em especial, eu gostava muito de ouvir uma música chamada “Life, love & laughter” (veja o clipe no fim do texto), do Donavon. Ela representava justamente o estilo de vida que eu queria ter: viver intensamente, amar muito a vida e dar muitas risadas, ser verdadeiramente feliz.

Não por acaso, fiz uma prancha com essas três palavras escritas nela: life, love e laughter. Algum tempo depois, descobri que o Donavon iria fazer um show no Guarujá. A apresentação aconteceria na praia, em frente ao aquário Acqua Mundo, e seria aberta ao público. Um final de tarde em um dia de semana.

Conversei com meu chefe, na época o Arnaldo Hase, e pedi autorização para sair mais cedo do Santos FC no dia do show. O único detalhe que esqueci foi calcular o tempo do trajeto com trânsito e balsa até o Guarujá.

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Reflexão nº 17 – Um sonho sobre o mundo

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(…) quando analisamos o conceito de vocação, ele não é mais do que (…) a convocação de cada cidadão para aportar na sua sociedade com o que de forma mais inteligente e melhor sabe e pode fazer pelos demais, “A vocação nossa de cada dia”, Michel Echenique 

Imagine como seria viver em um mundo em que os finais de domingo não são depressivos, nem as segundas-feiras são desanimadoras. Todos os dias seriam como as sextas-feiras, estaríamos altamente motivados. Não necessariamente porque o dia seguinte é sábado, mas porque todos os dias sairíamos da cama para realizar exatamente aquilo que nascemos para fazer.

Um mundo em que as pessoas pudessem desempenhar sua verdadeira vocação, em que fazer o que se gosta não é exceção, mas regra. Esse processo poderia representar o fim de algumas profissões, mas, se nesse mundo não houvesse mais lixeiros, por exemplo, aprenderíamos desde cedo a cuidar do próprio lixo. Aprenderíamos a ter responsabilidade pelos próprios atos, por tudo que produzimos, consumimos e desperdiçamos.

Certamente, esse mundo também daria nascimento a outras profissões. Aptidões e qualidades que, muitas vezes, nem sonhamos que poderiam ser uma profissão. Esse mundo valorizaria o que há de melhor em cada um de nós, respeitando nossos limites e nos incentivando a alçar voos mais altos no campo da nossa vocação. Desde cedo, aprenderíamos a nos conhecer, enxergar nossas qualidades e defeitos.

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Reflexão nº 16 – Eu, a Vila e um professor

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Foto: Vinicios Oliveira

Os dias frios e nublados eram os mais difíceis de sair da cama. O sol empurra a gente para fora de casa. A chuva e o céu fechado dão preguiça, vontade de não fazer nada, passar o dia jogado no sofá.

Eu tinha um horário flexível para entrar no Santos FC e também já havia me acostumado com a rotina, disso eu não podia reclamar. O maior problema é que, como editor do site do clube, eu passava a maior parte do dia em frente a um computador. Essa rotina acabava comigo. Era sufocante. Eu precisava de ar livre, movimentar meu corpo.

Com o tempo, quase sem querer, descobri que as arquibancadas da Vila eram um bom lugar para encontrar ar puro. De lá, eu enxergava o estádio de cima, com amplitude. Ali, eu respirava, andava um pouco e pensava na vida. Olhava para o céu e relaxava. Era meu momento de meditação, reflexão.

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Reflexão nº 15 – Um conto de suspense

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Edição Carolina Rodrigues

Capítulo 1

A água que havia invadido a pequena embarcação já molhava seus pés. A escuridão do pântano a deixava repleta de medo. Ela estava tão apavorada que irrompeu num misto de choro e gemido.

Ameaçava gritar por socorro, mas sabia que ninguém ia ajudá-la. No meio daquela escuridão, viu algo se mexer no lado oposto de onde estava sentada. Algo parecia ter se arrastado na superfície da água que havia no fundo da embarcação.

Ver aquele ser que não sabia o que era a deixou apavorada. O susto a fez dar um pulo para trás que fez o barco balançar. De pé, equilibrou-se, mas quase caiu na água.

Mergulhar naquele líquido pantanoso em meio à escuridão era tudo que ela não queria. Só de pensar que podia ter caído na água lhe dava vertigem.

Mas, afinal, o que havia visto se mexer? Será que não se enganara? Tinha algo realmente na outra ponta do barco?

Tentou parar de pensar naquilo e se convencer de que não era nada. Apenas a imaginação alimentada pelo medo. “Você não viu nada. Você não viu nada”. Foi o que começou a sussurrar para si mesma.

O barco seguia à deriva. Com o motor quebrado, ia conforme a leve correnteza do pântano. Às vezes, ainda esbarrava em algum galho ou vegetação. Mas nada que o fizesse parar.

Ainda assustada sobre o possível vulto, tentou fechar os olhos, levar os pensamentos para longe dali. Buscou resgatar lembranças da infância, uma tarde brincando no parque. “Isso”. Aquele pensamento começou a lhe dar uma sensação de tranquilidade.

O cansaço já era tamanho que adormeceu em meio àquela lembrança.

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Reflexão nº 14 – Terapia de risco: um novo despertar

caminho_escadas_vegetacao_passagem_trilhaUm estalo fez o homem despertar. Como quem sai de um transe, abriu os olhos. Assustado, pensou estar sonhando. Realidade ou imaginação? A mais pura realidade, sua própria vida.

De repente, se sentiu um estranho. Se perguntou por onde tinha andado todos aqueles anos. O que tinha feito? Os sonhos de criança não se concretizaram.

Agora, já era um adulto. Pai de crianças que também sonham. Pensou nos filhos. Enxergou eles como nunca havia enxergado até então. Começou a chorar. Era um choro feliz. Estava engasgado há anos na garganta.

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Reflexão nº 13 – “Judas” e um jovem em busca de sentido

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Mais adiante, numa curva do caminho, aquela figueira morta está me aguardando. Eu examino cuidadosamente galho por galho, encontro o galho certo e amarro nele a corda, “Judas”, Amós Oz.

Ele tinha certeza que veria o amigo que tanto amava descer da cruz. Por isso, convenceu Jesus a sair da Galileia e rumar com destino a Jerusalém. A libertação da crucificação seria mais um entre tantos milagres que já presenciara o amigo fazer.

Mas não foi isso que aconteceu. As coisas não saíram como Judas imaginara. Pelo contrário, ele viu o amigo sofrer na cruz. Então, questionou a própria fé. Se perguntou se Jesus era de fato filho de Deus. Se ele fosse um homem comum, isso não fazia com que amasse menos o amigo, mas lhe trazia uma culpa imensa pensar que o havia empurrado do precipício.

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Reflexão nº 12 – Liberdade: alçando voos mais altos

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Sugestão: clique no player acima antes de iniciar a leitura

Eu estava de férias do Santos FC quando subi o morro naquela tarde, tinha tempo livre para pensar e fazer o que eu quisesse por cerca de 15 dias (Muita coisa, não é mesmo?!). Naquele período, 15 dias para fazer isso era muito tempo. Tempo pra caramba!

Quando cheguei lá em cima encontrei um amigo. Foi mero acaso, pura coincidência. Ele estava fazendo uma matéria sobre voo livre. Foi assim que eu conheci o Eládio, o Vovô.

No breve papo que tive com ele naquele dia, recebi o convite para fazer um voo duplo. Eu sempre tive medo de altura, mas encarar esse medo de frente me dava um frio gostoso na barriga. O medo me puxava para aquele desafio. Significava vencer a mim mesmo. Além disso, aquela experiência parecia libertadora. Ia ao encontro da busca que eu já iniciara. Seria um momento único, eu não tinha dúvida.

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Reflexão nº 11 – Pensamentos conflituosos: intuição ou irracionalidade?

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Em algum lugar do planeta, após nascer como indivíduo, uma alma começa a refletir…

Alma: Espírito, está aí?

Espírito: Olá.

Alma: Desde nosso último encontro, tenho refletido bastante.

Espírito: Refletir é bom. Sobre o que tem pensado?

Alma: São pensamentos estranhos. Me fazem sentir em plenitude, mas nem tudo faz sentido.

Espírito: Se te fazem sentir paz, não há razão para não alimentá-los.

Alma: Eles vão de encontro a muitas coisas que sempre tive como verdades. Isso me deixa em conflito.

Espírito: A verdadeira verdade nem sempre agrada num primeiro momento. Mas depois torna-se libertadora. Não tenha medo de refletir.

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Reflexão n° 10 – “Ensaio sobre a cegueira”

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“A vida não é medida pelo número de vezes que respiramos, mas pelos lugares e momentos capazes de tirar nosso fôlego” (Anônimo)

Eu fiquei com a respiração ofegante quando ele passou por mim. Eu já estava um pouco receoso. Aquele estava sendo um momento de descobertas. Estava um pouco inseguro, ainda conhecendo aquele novo mundo, como um colonizador que desembarca em terras desconhecidas.

Ele quase “atropelou” o menino que estava do meu lado. E também passou bem perto de mim. Isso me deixou ainda mais assustado. Na volta, ele acabou me alcançando. Remamos lado a lado. Eu ainda estava receoso e, ao mesmo tempo, surpreso.

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