Reflexão nº 7 – “Só sei que nada sei”

Por mais que elementos da cultura tentem sufocar traços da natureza humana, continuamos inquietos, sedentos por conhecimentos “proibidos” que, muitas vezes, não sabemos nem nomear. Sabemos que falta algo, mas não sabemos bem o que.

O problema é que quando estamos perdidos, nem sempre é fácil diferenciar o falso do verdadeiro caminho que leva ao conhecimento. Podemos ser laçados por “inverdades”. Muitas vezes, a sede é tanta que, mesmo quando nos deparamos com “água suja”, corremos o risco de tomá-la pensando ser essa a verdadeira água dos deuses.

Alguém que procura um caminho pode ser como uma criança que ainda está aprendendo a conhecer o mundo. Ainda sujeita às orientações do pai e da mãe. Ainda não completa como indivíduo. Ainda com dificuldade para separar o joio do trigo.

É interessante que o mito da caverna de Platão permaneça tão atual mesmo em um mundo repleto de ferramentas de acesso à informação. Estamos evoluindo do ponto de vista tecnológico, mas essa evolução nem sempre tem relação com o desenvolvimento humano, não está nos trazendo mais sabedoria para viver a vida.

A própria caverna é repleta de “livros” sobre uma “tal caverna” que seria uma simulação distorcida da vida real. A “desinformação” pode ser pior que não ter nenhuma informação sobre algo. Uma “inverdade” pode nos tirar do caminho, construir preconceitos e nos deixar presos na caverna. Podemos nos tornar como os personagens do desenho “Caverna do Dragão”. Sempre que nos aproximamos do caminho de volta para casa, para nossas verdadeiras origens, algo nos impede, nos segura. Ficamos andando em círculos.

Ao mesmo tempo que estamos repletos de informação, faltam lugares verdadeiros nos quais confiar, faltam raízes para se sustentar, faltam estruturas sólidas para se apoiar. Nunca tivemos tanto acesso à informação. Porém estamos recebendo uma avalanche de informação estereotipada, superficial e, por vezes, errada. Apenas uma faceta rasa sobre religião, sexo, política, educação, ciência, relações humanas, etc.

É preciso estar sempre atento, aberto e, ao mesmo tempo, desconfiado diante de novas informações. Não tomá-las necessariamente nem como verdades absolutas nem como mentiras. É necessário checar, confrontar e ampliar visões de mundo, abrir a cabeça. Ir na essência das coisas. Resgatar os conhecimentos presentes nas profundezas do nosso espírito. Já que é no espírito que reside nosso verdadeiro eu. E permanecer ciente de que a vida é um aprendizado diário.

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2 comentários sobre “Reflexão nº 7 – “Só sei que nada sei”

  1. Nossa, Rafa, você estava prevendo o futuro? Antecipou uma reflexão sobre nossa conversa? Incrível! Eu me sinto assim como você descreveu – uma pessoa que confiou em informações incorretas e que acabou contaminando possíveis verdades após uma desilusão. O grande problema, e aí é uma questão apenas minha, está em entender que não há como encontrar lógica em algo que não é racional. Busco comprovações técnicas para algo que não tem forma, que deveria existir apenas na mente e no coração – e bastar-se assim. Mas eu quero mais. Quem sabe com o tempo não aprendo?!

    • Hahaha… Somente coincidência. Acho que a verdade pode nos deixar meio atordoados no começo, mas, com o tempo, se torna libertadora. Já ouvi uma definição de fé como a certeza daquilo que não vemos. Nem tudo é palpável né? Com certeza, ninguém pode trilhar esse caminho no seu lugar, tem que ser você rs

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